O ano de 2015 foi um período atípico de forte retração econômica para o Brasil, com queda do PIB estimada em 2,8%. Muitos negócios conseguiram sobreviver, mas outra boa parte acabou fechando as portas. Diante deste cenário, quem quer investir em uma franquia se pergunta se o ano de 2016 é o momento certo para partir para a ação.

“Acreditamos que este ainda será um ano de muita turbulência na economia”, considera Isa Silveira, fundadora da consultoria Avance Franchising. “No nosso dia a dia, percebemos que tem muitos investidores com dinheiro para aplicar no crescimento de seu negócio ou na abertura de uma franquia, mas não o fazem por que estão aguardando uma mudança de cenário político e econômico do país”, conclui.

Apesar dos números pouco animadores da economia em geral, o franchising cresceu 11,2% no primeiro semestre de 2015, movimentando 63,8 bilhões de reais, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

De janeiro a setembro, o faturamento do mercado de franchising já ultrapassou os 99 bilhões de reais. Dados preliminares da associação apontam para um crescimento de 8,2% durante o último trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2014, somando cerca de 35,5 bilhões de reais de receita.

O número de unidades franqueadas também cresceu em 2%, somando 133.897 operações, com destaque para os segmentos de educação e treinamento, negócios e serviços.

Segundo o vice-presidente da ABF, Altino Cristofoletti, o crescimento do mercado de franchising se deve ao próprio formato do negócio. “O franqueado pode manter seu foco na venda porque sabe que tem a estrutura da marca para dividir as tarefas de administração, treinamento e marketing”, destaca.

O poder de negociação da rede é outro diferencial que dá fôlego ao franqueado em relação ao varejo tradicional, segundo o especialista. “Mesmo que a gente não consiga aumentar muito o faturamento, o sistema de franchising muitas vezes consegue melhores negociações do que uma empresa sozinha, o que mantem a margem. E em um momento de crise, manter a margem é muito importante”, reflete o vice-presidente.

Mas Cristofoletti faz questão de ressaltar também que o quadro positivo é um recorte do setor do franchising geral. Houve empresas que se saíram melhor e aquelas que não estiveram tão bem em 2015.

É uma boa hora para apostar em franquias?

Tinho Azambuja, co-fundador da Side Walk, marca de calçados, streetwear e acessórios, afirma que sim. “Em uma época de crise, o novo franqueado vai conseguir fazer bons acordos, porque ninguém quer perder a oportunidade de fechar negócio agora”, diz. E completa: “quando a crise passar, a franquia dele já vai estar estabelecida”.

O empresário responsável pela criação da Chilli Beans, Caito Maia, acredita que a crise até pode ser o estímulo que faltava para surgir o desejo de empreender. Ele afirma que  houve um aumento de 45,8% de candidatos a franqueados na empresa, em relação ao ano passado.

“O próprio fato de haver mais pessoas disponíveis no mercado, em razão de demissões, e com dinheiro para fazer investimentos causou o aumento no número de candidatos a franqueados. Então a crise pode ser o impulso que faltava para aquela pessoa que sonha em ter o próprio negócio”, diz.

O que esperar de 2016?

De acordo com Alex Vigatto, sócio da Goakira, 2016 deve ser um ano de “se fazer mais com menos” e de investimento na qualidade. Mas as previsões são otimistas: “o mercado de franquia sempre cresceu acima do PIB brasileiro. Esse ano, com uma expectativa de uma retração maior que 3%, e o mercado de franquia tem a expectativa de crescer de 7% a 9%”, analisa.

Bianca Zeitoun, fundadora da TEAR Franchising, concorda: “é um mercado que cresce todos os anos e acredito que em 2016 não vá ser diferente. Aposto em um crescimento menor do que o dos últimos quatro anos, mas ainda assim cresceremos”.

Para Vigatto, 2016 será decisivo, e quem conseguir vencê-lo certamente sairá da crise mais forte. “Será outro ano difícil, de muitas incertezas, mas quem superar esses obstáculos estará mais preparados para outras dificuldades que possam surgir”, aconselha.

Cristofoletti destaca ainda que alguns segmento deverão se sobressair. As franquias de alimentação, educação e treinamento e serviços de limpeza, cuidado e reparo devem fazer sucesso em um 2016, que ainda deve ter reflexos da crise de 2015.

“Se a pessoa não vai poder almoçar sempre em um restaurante a la carte, ela vai em um self service. Se ela não vai poder comprar um carro novo, vai querer cuidar melhor do seu. Se não pode investir em produtos mais caros, deve investir em educação e cuidados para si mesma”, comenta o especialista.

Para quem está procurando uma franquia para investir, uma boa opção, segundo o especialista da Goakira, é investir no mercado de microfranquias, modelos mais compactos que exigem menos estrutura, área e força operacional, e, com isso, menos investimento. Os modelos home-based, em que a execução das tarefas pode ser feita em casa também são uma boa alternativa.

E para quem tem penado com a crise, Bianca sugere: “posso compartilhar três conselhos que aprendi este ano. Não desistir – a competência e a persistência nos levam ao sucesso. Fazer um bom planejamento -quem estava mais bem preparado não sofreu tanto, tinha uma reserva. E inovar sempre – em momentos como esse quem inova ganha da concorrência e se destaca”, conclui.

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