Você está pensando em começar a empreender em franchising, mas não sabe ao certo como funciona uma franquia? Pois antes de tomar qualquer decisão é preciso que você saiba os detalhes deste segmento, uma vez que ser um franqueado é um grande investimento, tanto de tempo quanto de dinheiro. Nada mais justo, então, do que procurar sanar todas as dúvidas possíveis antes de encarar a empreitada.

Estar bem informado sobre como funciona uma franquia é fundamental para investir com segurança e para que tudo corra bem durante todo o processo de negociação e, depois, na operação do negócio. Afinal, questões burocráticas determinam os direitos e os deveres tanto do franqueado quanto da franqueadora, e são essenciais para que a relação entre as partes funcione da melhor forma possível.

“O sistema de franchising é o sistema em que um franqueador (aquele que tem uma marca – possivelmente o criador ou que adquiriu determinada empresa por fusão ou aquisição), detém o know how, sistema de gestão e operação de determinado negócio e autoriza que terceiros (os franqueados) operem unidades daquele negócio seguindo com uma série de processos, procedimentos e regras já definidas por esse franqueador, em um determinado território, sob a marca autorizada pelo franqueador”, explica detalhadamente Ana Vecchi, especialista em gestão de negócios e franchising.

É importante deixar tudo isso muito claro, uma vez que nos últimos anos aconteceram muitas fusões e aquisições e nem todas as marcas estão com seus fundadores e/ou criadores. “É fundamental que o franqueador seja quem detém a marca, o conhecimento da operação e a gestão do negócio a fim de transferir conhecimento e permitir que o franqueado comande o negócio de acordo com as premissas pré-estabelecidas”, lembra a especialista.

Para lhe ajudar nesse processo, reunimos os pontos mais importantes e que rendem as dúvidas mais comuns neste processo, além de chamarmos Ana Vecchi, especialista em gestão de negócios e franchising, para respondê-las.

Modelos de negócio

Por franquia, hoje temos desde microfranquias (cujo investimento vai até 90 mil reais) a franquias de variados portes, conforme a complexidade do negócio. Existem diversos tipos de modelos de franquias, como:

Franquias físicas: que operam em pontos de vendas físicos; quando o cliente vai até o ponto de venda para adquirir e/ou consumir itens diversos, como alimentação e vestuário, por exemplo.

Franquias home based: forma de administrar um novo negócio sem sair de casa, sendo uma ótima pedida para novos investidores que buscam por conforto e flexibilidade de horário na gestão de um empreendimento, assim como sentem a necessidade de manter a combinação de casa e trabalho em dia, algo que pode dar certo.

Franquias de serviços: empresas que trabalham com a comercialização de serviços ao invés de vender produtos. São, muitas vezes, home based, boa parte delas caracterizadas como microfranquias – como seguradoras e limpeza, por exemplo.

Franquias virtuais: que têm venda por e-commerce e marketplace ou, ainda, de prestação de serviços, caso das agências de marketing digital.

Taxas a serem pagas

Para a operação da franquia, os franqueados pagam algumas taxas, que existem e servem para remunerar o franqueador quanto aos serviços e o suporte que ele presta à rede e a sustentação de toda a estrutura que ele montou para assessorar e/ou suprir franqueados.

A taxa de franquia é uma das principais taxas do sistema de franchising. Paga no momento da assinatura do contrato de franquia, a taxa serve para remunerar o franqueador pela entrada do franqueado na rede e por todo o suporte que o franqueador deve prestar ao franqueado até o dia da inauguração da franquia, como: uso da marca, delimitação do território de atuação da unidade, treinamento e orientações pré-inauguração, contratação de mão de obra, administração, jurídico (para constituição da empresa), marketing de inauguração, conhecimento e início de relacionamento com fornecedores homologados pela franqueadora com os quais a franquia poderá trabalhar, etc.

“Essa taxa é como se fosse a permissão para a entrada no grupo e recebimento das normas e procedimentos que devem ser seguidos para fazer parte desse grupo”, conta Ana.

Além disso, o franqueado deve pagar algumas taxas periodicamente à franqueadora, como a taxa de publicidade e os royalties.

A taxa de royalties é o valor mensal que o franqueado paga à franqueadora e remunera todo o suporte do franqueador, como treinamento, consultoria de campo, reciclagem, pesquisa de mercado, visitas para melhorias de performance, etc. “Ou seja, essa taxa se refere a toda a estrutura da franqueadora, com equipe, sistemas, a estrutura física da sede administrativa, etc.”, explica Ana.

O franqueador vive em função dos royalties, que podem ser pagos como percentual do faturamento bruto de cada franquia ou percentual sobre compras de produtos (no caso da franqueadora que tem uma indústria e produz o que será comercializado em cada unidade franqueada).

Há, ainda, franqueadores que cobram taxas fixas de royalties independente do valor do faturamento da unidade de franquia, assim como outras que não cobram esse valor do franqueado.

Também é possível encontrar no mercado franquias que não cobram royalties. Nesse caso, é fundamental avaliar como o franqueador será remunerado e verificar a estrutura e a qualidade do suporte no dia a dia do negócio.

Processo seletivo

Antes de um candidato se tornar efetivamente um franqueado, ele deve passar pelo chamado processo seletivo.

“Esse deve ser um processo recheado de cuidados pelas duas partes – franqueadora e potencial franqueado – e não deve se resumir simplesmente à leitura da Circular de Oferta de Franquias (COF) e à análise de planilhas financeiras, aspectos que também são extremamente importantes”, comenta Ana.

A relação entre franqueadora e candidato começa com o preenchimento de um cadastro, que vai levantar informações sobre a vida profissional e pessoal do candidato, capital disponível para investir, chegando até a expectativa com relação à franquia e o que espera do negócio.

O candidato precisa procurar saber qual será o seu papel na rede e a responsabilidade que terá. “Uma orientação que costumo dar é de que as pessoas pensem por qual motivo estão comprando determinado negócio, qual a expectativa de resultado (não apenas financeiro, mas de dedicação, e como será isso)”, indica a especialista.

Nesse processo, é fundamental ainda que o candidato converse com um número razoável de franqueados em operação para entender o que virá pela frente, como será a atuação, como é a relação com a franqueadora e o suporte dado, estando por dentro da realidade de mercado, da relação com consumidores e fornecedores e de pontos positivos e críticos.

“Veja também quais são as expectativas que os franqueados em atividade tiveram e que de repente não foram atingidos e quais os motivos para tanto. Isso dará uma clareza maior ao candidato para uma análise mais consciente”, aconselha Ana.

Nas conversas com outros franqueados, é importante estar aberto à realidade, a fim de não deixar o emocional interferir em uma decisão tão importante.

Por fim, chegamos à parte burocrática. Primeiramente, é importante observar e analisar a documentação jurídica.

“O franqueador precisa entregar ao franqueado a COF, que vai explicitar a relação entre franqueador e franqueado e mostrar quais são os papéis das partes, composição societária da empresa franqueadora, etc.”, esclarece Ana.

Para que saiba, a COF é embasada na Lei de Franquias (Lei nº 8955, de 1994), sendo que seu objetivo é deixar a relação entre as partes transparente e, acima de tudo, mostrar ao candidato a franqueado com quem ele vai se relacionar, o que ele está comprando e qual o papel dos envolvidos.

O documento é de extrema importância para diminuir dúvidas e oferecer garantias a quem quer ser franqueado. E fique ligado, pois como parte da COF há também uma minuta de contrato para tirar dúvidas antes da assinatura e compra da franquia.

Após a análise da Circular de Oferta, o candidato pode seguir com o negócio, assinando o contrato de franquia em um prazo de, no mínimo, dez dias do recebimento da COF. A partir disso, dá-se início ao processo de abertura da franquia, que vai variar conforme o modelo do negócio e da rede escolhida.

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