Uma grande parte da população mundial já pensou pelo menos em algum momento em abrir o seu próprio negócio. Nesse momento a dúvida pode surgir: abrir um negócio próprio ou uma franquia, o que o empreendedor deve escolher? O que é melhor?

A resposta à questão não é fácil, não existindo um negócio melhor ou pior. A escolha de um ou outro modelo depende de uma série de fatores, sendo que em qualquer dos casos o empreendedor deve estar bem preparado para exercer a operação que escolher, afinal, independente do modelo escolhido, não se tratará de um investimento, mas sim de um negócio que exige dedicação.

Pois bem, antes de escolher o modelo, o empreendedor deve fazer uma auto avaliação muito crítica, avaliando principalmente:

  • como é o seu perfil;
  • quanto dinheiro possui para investir no negócio;
  • se é tolerante a riscos;
  • se aceita seguir padrões pré-definidos;
  • se possui um perfil de liderança;
  • se prefere delegar tarefas.

É óbvio que outros pontos também podem e devem ser avaliados, contudo, com essa análise prévia, já se pode ter ideia do que pode ser melhor para o caso do empreendedor.

Tanto a franquia, como o negócio próprio possuem vantagens e desvantagens, que deverão ser avaliadas pelo empreendedor antes de tomar a sua decisão final.

No caso da franquia, dentre as vantagens, podemos destacar:

  • o franqueador possui know how da operação, o qual é transferido ao franqueado, e auxiliarão muito na operação, desde o momento da escolha do ponto, até o momento em que a loja estiver em operação;
  • muitas vezes a marca já é conhecida do público, ou pelo menos mais conhecida que uma marca que ainda não foi explorada;
  • muitas vezes a franqueadora consegue negociações com fornecedores, que auxiliam a rede como um todo;
  • como o negócio já foi testado não apenas pela franqueadora, mas também por outros franqueados que já estejam operando o negócio, o modelo acaba se tornando um pouco mais seguro, apesar de ainda sim guardar riscos, como qualquer negócio comercial;
  • é comum as vendas e o lucro acontecerem de forma mais célere, já que a franqueadora já conhece o perfil dos consumidores e já testou produtos e fornecedores.

No caso do negócio próprio, podemos destacar as seguintes vantagens:

  • todo o lucro do negócio fica com o empreendedor, já que não existe obrigação de pagar royalties à franqueadora;
  • a empresa pode se tornar uma franqueadora no futuro;
  • o empreendedor pode criar a sua própria identidade visual, promovendo todas as modificações que entender convenientes;
  • o empreendedor não precisa seguir fornecedores homologados ou lista de produtos e/ou insumos indicados pela franqueadora, podendo promover alterações de mix de produtos conforme a sua conveniência.

Em ambos os casos, também podemos citar desvantagens, como é o caso:

  • no caso da operação própria, por ser necessário começar a empresa do zero, pode levar um tempo até o empreendedor conhecer o perfil dos seus consumidores, os produtos que devem ser mantidos no mix, a relação dos fornecedores mais adequados, entre outros.
  • no caso da franquia, o franqueado deve seguir os padrões definidos pela franqueadora, não podendo alterar o modelo de negócio, havendo ainda a obrigação de pagamento de royalties pelo fato de estar participando do sistema de franquia.

É fácil notar que em uma operação franqueada existem regras e padrões que devem ser seguidos pelos franqueados, além da obrigatoriedade de pagar os royalties. Apesar de não se tratar de algo ruim, esse parâmetro já pode ser utilizado, afinal, aquelas pessoas que não conseguem seguir padrões pré-definidos certamente não terão sucesso com uma operação franqueada.

Finalmente, cumpre lembrar que ainda que todos os cuidados sejam tomados, infelizmente, nem o negócio próprio, nem a franquia são garantia de sucesso do negócio, que dependerá muito da atuação do próprio empreendedor no dia a dia da operação.

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Marina Nascimbem Bechtejew Richter
Sócia do escritório NB Advogados. Autora do livro “A Relação de Franquia no Mundo Empresarial e as Tendências da Jurisprudência Brasileira”, é bacharela em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo especialista em Direito Societário, Contratos e Contencioso Cível. Tem especialização em Direito Societário, junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV) e também em Direito dos Contratos pelo LL. M IBMEC/INSPER-SP. É membro da Ordem dos Advogados do Brasil, de São Paulo; Associação dos Advogados de São Paulo (AASP); e Associação Brasileira de Franchising (ABF).

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