Você sabe como abrir uma empresa? Será que vale mesmo a pena se enveredar pelo mundo do empreendedorismo? Essas são perguntas recorrentes na cabeça daqueles que sonham em investir em um negócio.

Não são poucos os que pensam assim. De acordo com pesquisa do Instituto Data Popular, mais de 38 milhões de brasileiros cogitam abrir seu próprio negócio. No entanto, as dúvidas surgem quando os números do IBGE mostram que pouco mais de 60% das pequenas empresas consegue sobreviver aos primeiros cinco anos de existência.

É por isso que você precisa saber como abrir uma empresa para não fazer parte dessa estatística. Para se dar bem no empreendedorismo é preciso estar armado de todas as informações importantes para fazer um bom negócio.

Pensando nisso, reunimos tudo que você precisa saber sobre como abrir uma empresa, com dicas e conselhos sobre o mercado.

Qual é o passo a passo para abrir uma empresa?

Saiba que devem existir dois olhares quando se pensa em abrir uma empresa. O primeiro é a formalidade, iniciando com o contato ao contador, apresentação da documentação junto à Prefeitura e Junta Comercial e solicitação do número do CNPJ.

De acordo com informações do Sebrae, para registrar uma empresa é preciso passar pelas seguintes etapas:

  1. Consulta de viabilidade e nome empresarial;
  2. Registrar a empresa na Junta Comercial ou no Cartório de Pessoa Jurídica;
  3. Registrar o CNPJ no site da Receita Federal;
  4. Registrar-se na Secretaria Estadual da Fazenda (para empresas que produzem bens ou vendem produtos) ou na Prefeitura Municipal (para empresas que prestam serviços);
  5. Emitir o alvará de funcionamento junto à Prefeitura Municipal;
  6. Cadastrar a empresa na Previdência Social;
  7. Preparar o aparato fiscal para emitir notas fiscais e autenticação de livros fiscais.

“O mais importante nessa etapa é pensar muito nos detalhes do Contrato Social, pois é ele que rege a empresa e relação entre sócios, caso haja”, explica Márcio Iavelberg, fundador da Blue Numbers Consultoria.

Além do Contrato Social, outros documentos serão necessários em várias etapas da formalização da empresa: documentos dos sócios (RG, CPF, comprovante de endereço), número de cadastro fiscal do contador, cópias de alvará e CNPJ, direito de uso de imóvel, formulários de cadastro próprios. É importante verificar com atenção que documentos devem ser apresentados em cada fase para concluir o processo sem problemas.

O outro olhar é com relação à operação. O que a empresa vai oferecer? Para quem? Onde e a que preço? Isso tudo deve ser definido num plano de negócios, que deverá ser feito antes mesmo da abertura da empresa, ou melhor, de sua formalização.

“No plano de negócios, os sócios já poderão enxergar muitos detalhes de como deverão operar o negócio e o que esperar de vendas e resultado, além do investimento e capital de giro necessário”, avalia o especialista.

Como saber o que se encaixa no seu perfil?

Quando você pensa em ter se próprio negócio já vem à sua cabeça quais são os papéis que terá que exercer como dono de uma empresa? Saiba que existem três figuras nas quais o empresário pode se encaixar:

  • empreendedor, aquele que toma as decisões e define o direcionamento do negócio;
  • gestor, aquele que administra a empresa;
  • e operador, aquele que executa o trabalho.

É importante identificar, então, no que você é bom para trabalhar, pois é difícil exercer de forma eficiente as três funções ao mesmo tempo. Por isso, se questione sobre o que você sabe fazer – isso vai definir como será estruturado o negócio. E, mais que isso: tenha ciência sobre suas limitações e saiba explicitá-las para delinear o caminho do negócio.

Lembre-se que quanto mais você sabe sobre você mesmo, mais você sabe onde pode pisar e onde tem que tomar cuidado. Por isso, conhecer seu próprio perfil é mais importante do que a pesquisa de mercado.

Por que devo descrever minhas metas?

Neste processo inicial, é comum que você esteja tomado por insegurança e medo sobre o caminho a seguir. Por isso, uma ação prática pode ajudá-lo: descreva os seus objetivos. Colocar num papel as suas metas para que sejam sempre consultadas, ajuda o empreendedor a ter uma visão mais clara sobre o assunto.

Isso ainda ajuda a esclarecer os objetivos de seu projeto, como quem será seu público-alvo, quais as características do produto ou serviço oferecido. Além disso, colocar as ideias no papel faz com que o empreendedor não se esqueça mais seus alvos, os pontos levantados a respeito do negócio.

Apostar num plano de negócios é essencial?

A resposta é sim. O plano de negócios tem que ser verdadeiro e o empresário tem que pensar que todo negócio demora um tempo para decolar. Por isso, é fundamental ter esse planejamento, que vai servir como mola propulsora do negócio durante toda a sua vida.

O plano de negócios incorpora informações verdadeiras provenientes de um estudo de mercado, de planejamento financeiro, fluxo de caixa, previsão de vendas, entre outros. Assim, você deve incluir nesse planejamento como atender à demanda pelos produtos ou serviços que oferece, enfrentar períodos de sazonalidade e suprir a mão-de-obra, por exemplo.

Como avaliar a reserva de capital necessária?

Seja sincero: um dos seus maiores medos na hora de pensar em montar um negócio é perder dinheiro, certo? Por isso, é preciso sempre ter uma reserva mínima para dar início ao negócio.

Esse capital é importante, pois dificilmente um negócio funciona como o planejado. A reserva financeira vai ajudar a resolver os imprevistos, que costumam acontecer nessa fase de criação do negócio.

Trabalhar com cautela para suprir cenários mais pessimistas faz com que o negócio esteja sempre preparado para enfrentar chuvas e trovoadas. Mas, saiba que mesmo com o melhor cenário, de início a empresa nova vive alguns imprevistos, e existe pouco acesso ao crédito, que é caro.

Para evitar problemas, comece pequeno. Se você quer montar um site de vendas de passagens aéreas, por exemplo, pode começar em um espaço pequeno, com uma modesta infra-estrutura, que não demande altos investimentos – ou, até mesmo, começar trabalhando em casa.

Lembre-se que quanto menor o investimento, menor o risco e também o medo de o negócio não dar certo.

A que você deve estar atento?

Não tem como fugir dos detalhes neste processo. “O empreendedor deve estar atento a tudo na operação e no mercado que está entrando”, avalia Márcio Iavelberg.

Por isso, é importante que você levante a real necessidade de investimento e capital de giro, para não perder o fôlego financeiro no meio do caminho, projete receitas e gastos, precifique de forma correta e busque sempre lucro, acompanhando de perto a evolução da empresa. “Disciplina e dedicação são palavras de ordem para qualquer empreendedor”, pondera Iavelberg.

Além disso, ter a mente aberta é fundamental para ajudar a espantar o medo de abrir um negócio. Isso ajuda a estar aberto para novas ideias que, muitas vezes, podem mudar o rumo planejado para um resultado ainda mais positivo.

Quais são os benefícios de abrir uma empresa?

Os principais benefícios de ter uma empresa aberta e formalizar o faturamento, através da emissão de nota fiscal, é a possibilidade de vender para empresas maiores, que exigem essa prática.

Além da ampliação do público consumidor, essa formalidade pode ajudar (e muito!) na obtenção de crédito bancário e possível entrada de sócios e investidores em seu negócio.

No entanto, neste processo existem também alguns entraves. “Eu diria que as maiores dificuldades aqui seriam a confiabilidade de que a contabilidade está sendo feita de maneira correta e a alta carga tributária brasileira, que consome boa parte do lucro do negócio”, opina Iavelberg.

Quando é o tempo certo para empreender?

Acredite: não existe “o tempo certo” para empreender. Se você está esperando as condições perfeitas de temperatura e pressão para abrir seu negócio, a demora pode ser eterna.

Um dos medos de quem tem vontade de se tornar um empreendedor é não saber identificar o tempo certo para isso. Perguntas como “será que eu já tenho o capital suficiente para montar o negócio almejado?”, “será que estou pronto para me tornar um empresário?” e “será que meu negócio vai decolar nas atuais condições econômicas em que se encontra o país?” são comuns entre os empreendedores.

Mas não há tempo certo para empreender. As oportunidades se abrem e se fecham, e cabe ao empreendedor identificar quando há uma fenda por onde entrar. O importante é saber identificar a oportunidade com precisão e não esperar as condições totalmente perfeitas. Sempre há tempo para empreender.

Em qual ideia investir?

Se você é daqueles que tem uma porção de pensamentos sobre o que fazer, mas não sabe o que colocar em prática, saiba que uma boa opção é explorar múltiplas ideias de negócios.

O empreendedor tem que aproveitar e explorar novas ideias, abrir seu leque de opções para minimizar os erros na criação da proposta de seu negócio.

Pensar em canais de venda diferenciados ou em um público-alvo pouco explorado, por exemplo, podem ser boas saídas para o futuro negócio. Isso agrega valor ao empreendimento.

Quando apostar em franquias?

Se você está em dúvida se a abre um novo negócio ou investe em um padrão já existente, como no caso de franquias, saiba que é preciso ponderar alguns itens importantes.

O franchising pode ser uma boa pedida para aqueles que querem seguir um padrão estabelecido anteriormente e começar com uma marca que já tem credibilidade. Além disso, investindo em franquia você conta com todo o suporte de uma rede que já tem experiência no mercado e não precisa enfrentar os desafios sozinho.

Mas, se você quer empreender e já tem uma ideia na cabeça, não é interessante apostar em franquia, porque você pode acabar ficando frustrado: uma vez que já tem ideias de produtos ou serviços para vender formadas, por mais que procure algo similar ao que pensou, não será igual.

Analise, então, o seu perfil e tenha sucesso na nova empreitada!

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