Diante da diversidade das novas soluções tecnológicas, questionamos quais são, de fato, as mais urgentes, as mais necessárias, aquelas que precisam ser implementadas rapidamente no negócio. Em meio a essa vastidão de alternativas, em tempos de Transformação Digital, podemos até mesmo nos sentirmos paralisados.

Você entende? Quando temos uma gama de decisões a tomar, podemos sentir medo de falhar, de escolher o projeto, a tecnologia ou o fornecedor errado, a solução desnecessária diante das urgências da Rede, de tal forma que nos arriscamos a permanecermos imóveis, enquanto o mercado pede agilidade organizacional, até mesmo por uma questão de sobrevivência.

Falamos de Big Data, de Inteligência Artificial, de aplicativos para uma melhor experiência de compra do consumidor no ponto de venda, e nem sempre sabemos por onde começar. Buscamos conhecer as tendências, mas, muitas vezes, vamos a eventos que nos apresentam um futurismo com ritmo de festa com fogos de artifícios. A questão é: na prática, o que podemos colocar para funcionar hoje, com a equipe que temos, com os recursos possíveis?

Falo sobre o mundo real, no tempo presente. Há quem pense ser necessário trocar de funcionários ou contratar muita gente, mas a verdade é que as organizações mais inovadoras estão investindo é na capacitação da equipe interna. Existe no mercado um talent gap. Com as rápidas transformações, os profissionais não estão chegando totalmente preparados da universidade e o conhecimento técnico, que é atualizado a cada instante, exige esforço de querer aprender e se manter antenado – o que é mais fácil adquirir com funcionários engajados, comprometidos e com senso de pertencimento, do que esperar encontrar todas essas habilidades técnicas e comportamentais em novos processos de recrutamento.

Dessa forma, é inevitável falarmos do amadurecimento de uma cultura digital antes de chegarmos às amplas possibilidades da transformação digital. Precisamos transformar, primeiro, as pessoas. E não trocá-las. A inovação acelera em organizações que apostam no treinamento do seu time. De startups a empresas tradicionais, o que temos observado é que a inovação avança junto com a capacidade de compartilhar conhecimentos dentro da própria empresa.

Dito isso, vamos fazer um exercício de benchmark. O que as organizações brasileiras têm feito e o que têm dado resultados imediatos? Quais as novidades entre as redes de franquias? E aqui vale destacar que o Franchising traz algumas particularidades. De um lado, o desafio da agilidade para implementar novas estratégias em diferentes pontos de venda e, às vezes, de norte a sul do país, o que envolve até mesmo diferenças culturais regionais. De outro, oportunidades, como: aproveitar justamente essa capilaridade para potencializar as vendas, testar iniciativas, e crescer.

Não podemos deixar de olhar para a convergência e a integração entre lojas físicas e virtuais, que estão trazendo uma nova dinâmica ao varejo nacional. Eu diria ser essa uma das prioridades hoje, juntamente com a questão da integração de dados, inovações no E-commerce e da construção de uma cultura que fomente a inovação.

As marcas começam a adotar estratégias que estão a todo vapor dentro e fora do país, como o modelo chamado click & collect, quando o cliente compra um produto pela internet e retira na loja, evitando custos com frete e reduzindo o tempo de entrega. Com menos iniciativas, mas já chamando atenção, está o ship from store, que ocorre quando um ponto de venda físico se torna um pequeno centro de distribuição de produtos para um pedido de compra online. Neste campo, as franquias também têm muito terreno ainda para crescer.

Um desafio no franchising está justamente nesta proposta de integrar as lojas franqueadas e tomar decisões tão importantes: quem compra, quem entrega, qual o percentual das vendas para cada parte. Enfim, exige uma atualização no modelo de negócio.

Engajar toda a rede, para que se comprometa com as novas iniciativas, conectar pessoas de diferentes perfis, fazer com que tudo funcione muito rapidamente, tudo isso passa, de novo, pelo debate sobre cultura.

Importante, neste momento, contar com o auxílio de especialistas e consultores que possam contribuir com uma boa visão do mercado, conhecimento sobre convergência entre canais, soluções técnicas e tecnológicas. E mais ainda, um conhecimento baseado em dados, para a criação de novos modelos de negócios, e para a construção de uma cultura forte e ágil para implementar tais inovações.

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