O sonho de empreender é algo grandioso e envolve muitos fatores, como o emocional. Por isso eu gosto de usar o termo sonho. Por diversas vezes fui procurada por empreendedores que queriam um conselho sobre qual tipo de negócio ou segmento deveria ser foco de seus esforços.

O que eu respondo sempre é: “Feche seus olhos. Quando você se imagina dono do seu próprio negócio, trabalhando feliz, você se imagina fazendo o quê?” E então começam a surgir as mais diversas respostas:

“Ah, eu me imagino numa linda loja de bolos.”

“Eu sempre sonhei em ter uma loja de sapatos, acho muito chique!”

“Queria um restaurante!”

É com base nessas respostas que eu início minha consultoria. Eu faço isso porque tudo começa no sonho, não começa do dia para a noite, vem sendo sonhado há muito tempo. E é essa afinidade já sonhada que precisa ser considerada.

Muitas vezes, o sonho já está tão forte, que as respostas vêm de forma bem mais definida, citando até marcas. Na maioria das vezes, são marcas já conhecidas e famosas, que fazem parte do imaginário do empreendedor há muitos anos e não há nenhum problema nisso. Afinal, a marca é um grande ativo de uma empresa e se você se identifica com ela, não há nada de errado em sonhar fazer parte daquele universo.

O problema é partir da premissa que uma marca famosa é garantia de sucesso. Quando a gente começa a aprofundar as questões aos futuros empreendedores, perguntamos “Por que essa marca?” E é comum que a gente escute: “Porque é uma marca de sucesso, e porque eu quero uma operação de sucesso”. E aí é importante a gente desconstruir algumas premissas desse raciocínio que podem virar uma grande roubada para esse futuro empreendedor.

Primeiramente, é importante a gente entender que marca de sucesso não significa operação de sucesso de uma forma tão simples e garantida assim. Uma mesma marca, uma mesma rede, com diversas operações, possui resultados financeiros e realidades operacionais completamente diferentes entre suas unidades. E sucesso também é algo bem subjetivo, pois cada empreendedor tem expectativas particulares em relação ao resultado financeiro esperado.

É claro que é bastante natural imaginar que uma marca famosa represente uma empresa estruturada, com recursos, potencial de investimento, desenvolvimento e conheça bem seu mercado e tenha franqueados naturalmente satisfeitos. A tendência pode até ser essa, afinal ninguém cresce e vira um gigante tendo mais pontos negativos do que positivos. Mas isso definitivamente não é uma regra, uma certeza pré-existente. Conheço grandes marcas que possuem todos os atributos acima, e conheço muitas que não tem quase nenhum deles.

Quando for analisar o modelo de negócios, tire de lado todo o envolvimento emocional que você tem com aquela marca e tente analisar tudo com a necessária frieza que pede o momento. Não se iluda com bons slogans e material gráfico bonito, isso não significa nada em termos financeiros.

Por isso, não deixe de dar atenção a marcas menores nas suas pesquisas. Lembre-se que os grandes foram pequenos um dia, e pode também ser um excelente negócio ser um dos primeiros investidores de uma marca/negócio sério e promissor.

Desejo muito sucesso na sua tomada de decisão, e que você encontre um bom negócio alinhado às suas expectativas.

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Camila Pacheco
Consultora Empresarial e sócia da Blue Numbers Consultoria. Pós graduada com MBA em Gestão de Negócios pela ESPM Business School SP, Formada em Comunicação Social e Design Gráfico, dirige e desenvolve projetos de marketing, varejo e franquias da Blue Numbers, ao lado do sócio Márcio Iavelberg. Professora em cursos da ABF, escreve sobre os temas do mundo corporativo que acompanha em seus projetos, treinamentos e palestras.

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