Gestão humanizada: uma tendência para as franqueadoras e franqueados

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gestao humanizada franquias
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A crise do coronavírus mudou drasticamente as estratégias, planejamento e dinâmicas de trabalho em vários setores da economia. E a tendência é que muitas dessas alterações continuem fazendo parte do franchising no pós-crise.

Com o novo cenário – que inclui trabalho remoto, mais atenção com a saúde mental dos colaboradores e uma sensação de incerteza sobre o futuro – a necessidade de uma gestão humanizada tem sido apontada pelos especialistas.

Nesse sentido, a pandemia pode servir como um ponto de transição para que muitas franqueadoras revejam a forma como os gestores têm lidado com os franqueados e suas equipes.

Conversamos com Taiana Jung, gestora técnica, e Rui Marcos, gestor administrativo-financeiro, ambos sócios da Logos Consultoria, para entender o que é gestão humanizada e por que ela é uma das tendências mais fortes para as empresas daqui em diante.

O que é gestão humanizada

“A gestão humanizada surge para valorizar o indivíduo enquanto colaborador e ser humano. É um olhar de respeito e de estímulo as ações do colaborador na sua produção laboral”, explica Taiana.

Nesse sentido, diz a especialista, a gestão humanizada é aquela em que os métodos, processos, ações e práticas não visam apenas o retorno financeiro, mas a valorização dos colaboradores. Isso é feito por meio de relações mais justas, descentralizadas e participativas, e também de ambientes organizacionais agradáveis e acolhedores.

“A gestão humanizada é o equilíbrio da produtividade com o bem-estar e a satisfação do trabalhador”, finaliza Taiana.

As vantagens da gestão humanizada no franchising

Taiana e Rui explicam que humanizar a forma de administrar empresas e pessoas pode trazer diversos benefícios para os negócios.

Estabelecer relações, processos e ambientes que promovem o bem-estar, a valorização e o respeito às pessoas no universo corporativo têm o poder de elevar a produtividade e satisfação de franqueados e seus colaboradores, por exemplo.

Os resultados são profissionais que entregam um melhor desempenho, são mais motivados e otimistas na superação da crise e que ajudam a franqueadora na redução de custos administrativos e trabalhistas.

Além disso, o posicionamento das franquias está sendo muito visado pelo mercado e pelos consumidores. As companhias que assumirem, verdadeiramente, uma gestão mais humanizada e pautada pela responsabilidade social podem fortalecer suas reputações neste momento.

“O período da pandemia já demonstrou que as empresas que não investiram em ações voltadas para o fortalecimento de uma cultura humanizada, tiveram a sua imagem e reputação atingidas. Além disso, as áreas de expansão de franquias e recursos humanos poderão ter dificuldade de atrair e manter pessoas junto à marca”, define Rui.

Gestão humanizada e a pandemia de coronavírus

Antes da crise, muitas franqueadoras já buscavam modelos que tinham a gestão humanizada como um de seus pilares.

Esse é o caso, por exemplo, do Open Franchise, um formato desenvolvido para atualizar a gestão das franqueadoras e que é baseado em geração de valor, transparência e colaboração.

A gestão aberta e de valorização dos profissionais que permeia o Open Franchise, está muito alinhada com o conceito de gestão humanizada que deve se fortalecer no pós-crise.

Essa, porém, ainda não era a realidade de muitas franqueadoras. E elas foram pegas de surpresa pela pandemia.

“Uma boa parte das empresas tinham métodos, processos, práticas, indicadores e resultados pautados em uma lógica presencial. Além de terem regras rígidas em relação à chegada e saída, carga horária, sigilo e segurança da informação que faziam parte dos hábitos tantos dos franqueadores quanto dos franqueados”, pontua Rui.

Com o coronavírus, as empresas tiveram que remodelar o formato da operação, repensar seus processos, definir novos protocolos e ajustar as regras trabalhistas em um curto espaço de tempo.

O home office mostrou que o mais importante não é estar fisicamente no local de trabalho ou controlar todas as ações dos franqueados e colaboradores, mas sim, entregar resultados.

Além disso, se tornou necessário exercitar a empatia e entender que grande parte dos colaboradores e franqueados estão se adaptando à nova realidade e precisam lidar com todo tipo de novidade, incluindo a presença da família no horário de trabalho e os imprevistos domésticos, por exemplo.

Neste momento há ainda a preocupação com a saúde mental e laboral dos colaboradores, que passou a ser enxergada prioridade para o bom desempenho profissional.

Rui analisa: “Os processos corporativos mecanizados perderam valor no cotidiano do trabalho. As práticas agora estão voltadas para a valorização da vida e da humanidade com foco no propósito. Além de recurso financeiro, o senso de sobrevivência coletiva, serviço elementar, passou a fazer parte da compreensão social”.

Como implementar uma gestão humanizada nas franquias

As redes que têm percebido a necessidade de uma postura mais focada nas pessoas, e não apenas no retorno financeiro que elas proporcionam, devem começar entendendo alguns quesitos essenciais para mudar a gestão:

  • relacionamento: visão ampliada em relação às necessidade e demandas dos colaboradores, tanto para o aspecto laboral como pessoal. Valorização da socialização e dos relacionamentos pessoais, inclusive, de forma online;
  • comunicação: deve ser assertiva, transparente e aberta entre lideranças e liderados;
  • processos: adequação e criação de práticas e hábitos corporativos à realidade de cada colaborador e equipe;
  • formação: investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores e franqueados.

Os especialistas sugerem que o próximo passo seja a elaboração de um diagnóstico que busque entender o nível atual da empresa em relação à uma gestão humanizada.

Este levantamento deve revelar a percepção da franqueadora e dos franqueados para aceitação de uma mudança de cultura em todas as áreas da empresa, possíveis gargalos e caminhos a serem traçados.

A partir deste entendimento, será possível formular um plano de ação contendo práticas e atividades a serem desenvolvidas, cronograma de execução, indicadores de monitoramento e avaliação de desempenho individual e coletivo.

É importante dizer que o “pontapé inicial” deve ser dado pela franqueadora.

Como mentora de sua rede, ela deve promover a transformação da gestão internamente para, em um segundo momento, criar capacitações, informativos e manuais que ajudem os franqueados a fazerem o mesmo em suas unidades.

Também caberá à franqueadora monitorar a aderência da gestão humanizada nas franquias e guiar os parceiros na adaptação de processos.

Este é um caminho que pode ser desafiador, mas que será fundamental para manter a rede alinhada com as necessidades reveladas pela crise e com o novo futuro do trabalho.

“As empresas precisam acompanhar as tendências e demandas atuais para evitar problemas internos. Existe hoje uma necessidade de mudança e de alta dose de criatividade, e as companhias vão precisar de pessoas sadias, engajadas e comprometidas para passar por este momento e atingir os resultados necessários”, finaliza Taiana.

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