Quando o assunto envolve gastos, gosto muito de fazer um paralelo com as árvores. Para que uma árvore cresça com mais força, precisamos realizar o processo de poda, para que elas consigam crescer de forma vigorosa e se proteger de pragas e doenças. Porém, o processo de poda não pode ser simples e sem critérios. Ele deve ser feito levantando-se qual tipo de poda a planta precisa e de maneira que não prejudique o desenvolvimento dos demais galhos.

O processo com os gastos do negócio segue esta mesma lógica. De tempos em tempos, é preciso observar como está o crescimento da empresa e quais são os seus respectivos gastos. Alguns destes são estratégicos e contribuem para o crescimento do negócio. Outros deles, os gastos não estratégicos, não agregam na criação de valor do negócio, e acabam podendo levar a franquia a uma “doença financeira”, que começa com sintomas de falta de recursos, atrasos, dívidas, e acaba com a falência do negócio.

Porém, assim como nas plantas, a “poda dos gastos” não pode ser feita de qualquer maneira. Não basta sair cortando todos os gastos achando que isso fará sobrar mais dinheiro. É preciso primeiramente levantar quais são os gastos da franquia e classificá-los como estratégicos ou não estratégicos. A partir disso, pode-se partir para verificar a possibilidade de reduzir os não estratégicos. Trata-se da gestão de custos.

Mesmo com o levantamento e a classificação dos gastos, muitas vezes olhamos para eles e não vemos mais possibilidades de reduzi-los. Com base nisso, listamos abaixo algumas possibilidades de economias que podem ser feitas:

1. Pequenos gastos

Muitas vezes, olhamos os pequenos gastos, como por exemplo a compra de material de escritório, tarifas bancárias, assinaturas e transporte, e, ao vermos que individualmente eles não possuem um valor alto, acabamos tendo a ilusão de que estes não pesam no orçamento. Porém, faça a soma destes gastos, de acordo com suas categorias, no decorrer de um mês, um ano, cinco anos, 30 anos e veja como eles podem sim ter um impacto expressivo nas contas. A partir disso, veja se é possível economizar em alguns deles.

Por exemplo, digamos que um franqueado tenha uma loja no shopping, e, pela comodidade, toda que vez que vai para loja ele deixa o carro no estacionamento do shopping. Até existe uma possibilidade de deixar o carro num local próximo ao shopping, mas, isso resultaria em mais 10 minutos de caminhada. Supondo que o estacionamento tenha um custo de 9 reais. Este valor avulso, comparado com o faturamento mensal, traz uma impressão que não gera impacto. Porém, digamos que esse gasto seja repetido por 20 vezes no mês. Isso já resultaria num gasto de 180 reais por mês. No ano, são 2.160 reais. Sem considerar reajustes do estacionamento, digamos que para um contrato de franquia de cinco anos, seriam gastos com isso 10.800 reais!

2. Tarifas bancárias

Assim como descrito no item anterior, as tarifas bancárias muitas vezes parecem gastos que não têm um grande impacto nas finanças do negócio, mas que, quando analisadas ao longo do tempo, podem surpreender. Digamos que uma franquia tenha conta em dois bancos, pagando 100 reais para manutenção da conta em cada uma mais um total de 100 reais de tarifas de transferências que são feitas, em média, no mês. Por mês, com despesas bancárias, a franquia está gastando 300 reais. No ano, são 3.600 reais. Em cinco anos, esse número salta para 18.000 reais!

Porém, a conta bancária é uma necessidade do negócio. Será que é possível economizar com isso? Sim! Conforme trouxe no último artigo, existem opções de contas digitais que possuem tarifas mais baixas, ou até opções isentas de tarifas.

3. Juros

O crédito, muitas vezes, é uma necessidade do negócio, para possibilitar novos investimentos ou para cumprir com pendências. Porém, o crédito tem uma diversidade de produtos que podem pesar mais ou menos nas contas da franquia. Muitas vezes, pela praticidade, o crédito mais utilizado é o cheque especial. Porém, a praticidade tem um preço alto. Trata-se de umas das categorias de crédito com os juros mais altos do mercado. Ou seja, além do valor que foi usado, haverá um valor considerável a ser pago por conta dos juros.

Para economizar com esses juros, deve-se então procurar linhas de crédito mais atrativas. Busque outras opções não só na instituição financeira que você está mais habituado(a) a usar, mas em outras plataformas. E lembre-se sempre de olhar o valor total que precisa ser pago e não só o valor das parcelas, pois o que pode parecer interessante em um mês, pode ter uma quantia a ser paga, no total, muito mais alta do que havia sido utilizado.

4. Negociações

Muitas vezes, pela inércia, estamos habituados a pagar os boletos sem questionar possíveis descontos. Por isso, sempre vale buscar negociar os valores, questionando sobre descontos em relação a forma do pagamento, pagar antes do vencimento ou por já ser cliente há um bom tempo. “O não você já tem” é a frase que representa bem a ideia de sempre buscar negociar, afinal, no pior dos casos o preço continua sendo o mesmo, e, se der certo, um desconto pode ser concedido.

5. Orçamento

Por fim, a última dica está ligada a sempre trabalhar com um planejamento orçamentário. Este será o responsável pelo direcionamento dos gastos. Caso contrário, assim como vimos no caso das árvores, os gastos poderão crescer de forma descontrolada e na direção errada, sem que percebamos. Com o orçamento, você terá limites definidos e atrelados às estratégias.

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