Com grande variedade de lojas, além das facilidades de estacionamento, segurança, praça de alimentação, banheiros, entre outros atrativos, os shoppings centers se apresentam como ótimas oportunidades para abertura de uma loja.

A grande atração de clientes é também um bom sinal para os lojistas: a alta circulação de pessoas aliada a um espaço seguro, com administração, são pontos positivos que atraem muitos empreendedores a adquirirem um espaço dentro dos complexos de compras.

A atuação dos shopping centers no país vive um bom momento, como indica a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em levamento realizado entre os anos de 2017 e 2018. O faturamento segue em alta, com crescimento de 6,2% – o registrado em 2018 foi de 167,7 bilhões de reais.

Os shoppings na região Sudeste do país são os que apresentam maior faturamento anual e contribuem para o crescimento do setor. Do total, 97 bilhões de reais são oriundos dos malls que operam nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

O levantamento da Associação também identifica o potencial de penetração e consolidação dos shopping centers no interior do país. Cerca de 75% das inaugurações em 2017 foram registradas em cidades que não são capitais. O senso demonstra que, em 2017, 46% dos shoppings estavam instalados em capitais, sendo 54% atuando em outras cidades.

Com um total de 563 shoppings instalados em todo o país, a previsão de inauguração para 2019 é de 15 novos malls.

Apesar dos atrativos e das vantagens de abrir uma loja no shopping, essa decisão deve ser bem pensada para que o negócio realmente floresça. Os empreendedores precisam ficar atentos às diferentes burocracias relacionadas a inauguração de um ponto dentro de um shopping center, além das normas a serem seguidas, ditadas pelas administradoras dos centros comerciais, cuidados com o gerenciamento do negócio e adequação do perfil de investidor para atuar em uma rotina diferente de negócio.

A seguir, abordamos os principais pontos a serem considerados por quem deseja instalar uma loja ou quiosque em um shopping center, seja por meio de uma franquia ou de marca própria. Boa leitura!

Ponto comercial

A escolha do ponto comercial dentro de um shopping center deve ser feito de acordo com o que está descrito no caderno técnico – documento em que constam as regras de organização do espaço do shopping, além de normas a serem seguidas com relação a reformas, funcionalidades, medidas de segurança e formas de atendimento aos clientes.

De acordo com Sidney Kalaes, presidente do Grupo Kalaes, o empreendedor deve se atentar a diferentes normas de instalação para lojas e quiosques, que variam de acordo com as dimensões do negócio.

“Normalmente, as lojas de shopping têm um espaço reservado de 20 a 30 metros quadrados, e um boleto total de cerca de 15 mil reais a 20 mil reais ao mês. Em dezembro, o valor do boleto aumenta devido à verba de marketing compartilhado. Os quiosques, por outro lado, exigem custo e espaço menor para instalação, e a grande diferença está no tempo de contrato”, explica Kalaes.

Quando se trata da instalação de um quiosque, alguns detalhes devem ser levados em consideração antes da escolha de qual corredor e andar do shopping o modelo de negócio será instalado. O Sebrae orienta os empreendedores a conhecerem a movimentação de consumidores que passam todos os dias pelos corredores, já que alguns locais do shopping apresentam maior fluxo de consumidores por concentrarem determinadas lojas, ou de acordo com o perfil de clientes que o local recebe.

O quiosque deve ser instalado no ponto certo do shopping center, contando com bom volume de visitantes e, ao mesmo tempo, ocupando uma localização de destaque no ambiente.

Sidney Kalaes explica que, normalmente, o contrato de uma loja tem duração de quatro anos, podendo ser renovado, ou não. Já para os quiosques, os contratos são feitos, na maioria dos casos, com prazo de seis meses. O curto espaço de tempo, de acordo com o especialista, representa um perigo a quem vai empreender em modelo de quiosque, que pode ficar sem a certeza da renovação do contrato no mesmo ponto em que as operações foram iniciadas.

As exigências para inauguração de uma loja em shopping podem ser variadas. Algumas administrações, por exemplo, limitam o espaço de venda a uma determinada porcentagem da loja. Outros shoppings podem ter regras específicas relacionadas à conexão ao ar condicionado central, que devem ser seguidas pelos empreendedores.

Além das normas dos shoppings, os empreendedores devem estar atentos às medidas de instalação das propostas das lojas, de acordo com estudos de viabilidade técnica. Por meio de análises, é possível entender a capacidade de instalação do local, se é permitido, ou não, que a loja receba melhorias, evitando imprevistos e dificuldades após o começo das reformas.

Taxas e outras burocracias

Normalmente, para instalação de uma loja em um ponto comercial na rua, o empreendedor deverá arcar com valor do aluguel, IPTU, contas de luz, água, internet.

Já para apostar em um ponto comercial dentro do shopping center, Sidney Kalaes explica que as taxas normalmente são:

  • Cessão de Direito de Uso (CDU): uma luva inicial que depende de cada shopping center;
  • Aluguel mensal: valor que, normalmente, é um mínimo por metro quadrado, ou um percentual sobre o faturamento da loja – sempre o que for maior;
  • Fundo de promoção: valor mensal que também é calculado pelo percentual de vendas e sempre dobra no mês de dezembro. Esse valor é dedicado à divulgação e publicidade do ponto comercial
  • Taxa de condomínio: essa taxa se assemelha às pagas em um apartamento. O empreendedor deve assumir um valor, na maioria das vezes estipulado de acordo com as dimensões da loja, para custeio de estrutura necessária para operação do negócio. O valor da taxa também leva em consideração o uso de ar condicionado, limpeza, luz, entre outras questões. Restaurantes, por exemplo, costumam pagar um valor maior de taxa de condomínio, por serem necessários maior estrutura de operação e manutenção.

Somados, o fundo de propaganda e a taxa de condomínio totalizam o custo de ocupação da loja.

O especialista informa que, para os custos de um quiosque, há uma diferença em relação às taxas de lojas. “Este modelo de negócio não apresenta cobrança de CDU, entretanto, todas as outras taxas são cobradas igualmente às das lojas convencionais”, explica Kalaes.

Perfil do local e do empreendedor

Além de estar por dentro de todas as taxas cobradas aos empreendedores que apostam em shoppings centers, escolher o segmento certo e o modelo de negócio para investir, um dos pontos mais importantes é saber se possui o perfil certo para administrar uma loja em shopping center.

Estes espaços são conhecidos por apresentarem uma garantia mínima de público, uma vez que a circulação é constante, em horários comerciais mais amplos do que as lojas de rua geralmente operam, com grande potencial de atração principalmente em finais de semanas e datas comemorativas.

Além disso, nem todo shopping é adequado para qualquer tipo de negócio: é preciso saber escolher o local mais alinhado ao público-alvo de cada negócio. O Sebrae aconselha que shoppings com maturidade de mercado, que já conquistaram anos de funcionamento, devem fornecer aos investidores interessados em apostar no local um estudo de perfil dos consumidores que visitam o local, além de pesquisas de pontos de influência do ambiente.

Com análises mais aprofundadas, fica mais fácil para o empreendedor entender se possui perfil para atuar neste ramo de investimento e se o perfil do shopping está alinhado com o negócio.

Outros cuidados para abrir uma loja no shopping

Apesar do grande potencial atrativo de consumidores e das facilidades de apostar em um espaço bem estruturado, investir em shopping centers não é “mais fácil” do que as lojas de rua.

Kalaes explica que os empreendedores devem estudar pontos positivos e negativos de investimento em cada shopping, antes de fazer qualquer escolha. “É fundamental ter a certeza que o plano de negócio da loja esteja alinhado com os valores propostos pelo shopping. O plano de negócios precisa ser o mais realista possível, contando com valores de despesas reais e receitas previstas, também reais”, aconselha o especialista.

Além disso, é importante se lembrar que o número de visitantes diários de um shopping center não deve ser visto como sinônimo de grande número de consumidores da loja.

“Esse pode ser o maior engano desse empreendedor, que precisa criar essa demanda. Shopping não é sinal de clientes constantes, pois a análise do fluxo de pessoas é muito importante e, principalmente em shoppings novos, esse fluxo normalmente é baixo. Um shopping pode demorar entre dois a três anos para maturar, e esse período normalmente é difícil para os lojistas, que precisam se adaptar”, alerta Kalaes.

O especialista finaliza aconselhando os empreendedores a estudarem bem o mix de lojas presentes no shopping escolhido para investimento, bem como conhecer produtos e serviços localizados dentro do espaço comercial para, assim, estruturar o plano de atuação e se destacar entre os concorrentes.

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