Um conceito muito importante para quem já tem ou pensa ter uma franquia, é o conceito do capital de giro. Esse conceito refere-se ao capital necessário para financiar a operação da empresa. Basicamente, podemos relacioná-lo a todas as contas financeiras que giram ou movimentam o cotidiano da empresa, por isso o nome “giro”.

Vender hoje em dia, no modo como a sociedade brasileira funciona, também significa disponibilizar um financiamento aos clientes. Isso acontece pelo fato do cartão de crédito ser um dos meios de pagamentos mais utilizados, e com isso, o lojista acaba tendo três cenários para recebimento do dinheiro referente às vendas com o cartão de crédito:

1) Compra à vista: quando o cliente opta por esta forma de pagamento, o lojista recebe o valor da venda em 30 dias, com a incidência de uma taxa;

2) Compra parcelada: neste caso, o cartão do cliente terá cobranças mensais, de acordo com o número de parcelas. Além da taxa da venda no cartão de crédito, em cima de cada parcela também incide uma nova taxa;

3) Compra antecipada: tanto à vista quanto no parcelamento, o dono do negócio tem a opção de antecipar o recebimento. Porém, além das taxas citadas anteriormente, ainda incide um juros de antecipação.

Ou seja, quando o dono do negócio vende um produto ou um serviço no cartão de crédito, ele não receberá o valor total que foi cobrado e que ele passou na maquininha, mas sim, um valor que sofreu redução por conta das taxas.

Vale lembrar que mesmo vendas no débito, apesar do dinheiro entrar mais rapidamente na conta, também apresentam uma taxa, mas que costuma ser bem inferior às taxas do crédito.

Do lado oposto, em relação ao pagamento dos fornecedores, outra consideração é fundamental. Principalmente para as franquias quem vendem produtos, é necessário a formação de estoque. Em outras palavras, primeiro deve-se comprar os produtos/insumos, pagá-los, e só depois, com a concretização da venda, que o dono do negócio verá o dinheiro. Basicamente, primeiro paga-se e só depois recebe-se. Por isso, é sempre interessante buscar meios de compra a prazo, para diluir o pagamento conforme for recebendo o capital das vendas.

Além desses custos com fornecedores diretos, vale lembrar que a franquia também acaba arcando com outros gastos rotineiros da sua atividade, relacionados principalmente à mão de obra, administração e à infraestrutura. São exemplos comuns: aluguel, salários, benefícios, eletricidade, internet e telefone, água, contabilidade.

Especificamente em relação às franquias, também podem entrar taxa de publicidade e royalties. Estes últimos, em conjunto com impostos, acabam sendo na maioria dos casos não valores fixos, mas percentuais em relação ao que foi vendido. Vale atentar que vários destes gastos descritos anteriormente aparecerão para o proprietário pagar no mês seguinte à competência deles (por exemplo, a conta de luz é paga sempre no mês seguinte ao mês que ela efetivamente foi usada).

Para chegar no cálculo do Capital de Giro, precisamos classificar o Passivo Circulante e o Ativo Circulante:

  • Passivo Circulante (PC): são todos os gastos fixos, programados ou previsíveis. Podemos considerar os gastos de infraestrutura e mão de obra, conforme descrevemos (água, eletricidade, aluguel, salários, contador, etc), como também contas a pagar (parcelamentos com fornecedores, impostos, royalties).
  • Ativo Circulante (AC): é todo o valor já disponível. Entra nisso o valores em conta bancária, caixinha, aplicações de alta liquidez (valores que podem ser resgatados facilmente) e também as contas a receber (vendas a prazo).

Encontrados os valores do Passivo Circulante e do Ativo Circulante, o Capital de Giro (CGL) é encontrado subtraindo o segundo do primeiro, conforme a fórmula abaixo:

capital de giro

Porém, como foi visto, para encontrar esse valor, a primeira coisa fundamental é ter o levantamento e o controle das finanças do negócio. Com isso, você encontrará o valor que é necessário para a manutenção do mesmo. Caso contrário, pode causar atraso nos pagamentos ou até surge a necessidade de tomar dinheiro emprestado, o que, em ambos os casos, resulta num custo ainda maior, por conta da incidência dos juros.

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