Quem deseja começar a investir em franquias, além de pesquisar o segmento de atuação e o histórico de uma marca, também precisa estar atento aos gastos necessários para inaugurar uma unidade franqueada, com o cálculo do capital de giro.

É comum que muitos empreendedores se atentem somente ao investimento inicial para saber se um negócio cabe no bolso, mas outros investimentos indicados pelas franqueadoras, como o capital de giro, são tão necessários quanto o dinheiro injetado na abertura do negócio em si. Afinal, uma das principais causas para fechamento de empresas é a falta de capital de giro. 

Se organizar para manter uma vida financeira saudável é o primeiro passo. Entender sobre o que é o capital de giro, como calcular o capital de giro e qual o valor necessário para uma franquia, permitem que o empreendedor atue sem entrar no vermelho.

O cálculo do investimento inicial, por exemplo, acontece a partir do levantamento de uma série de gastos, indispensáveis para inauguração da unidade. Muitas vezes são taxas contratuais e outras exigências das empresas para autorizarem que um empreendedor possua uma unidade da marca.

Já a taxa de franquia, é definida pelo valor inicial que precisa ser pago para adquirir uma unidade franqueada. Em muitos casos, as franqueadoras adicionam no valor da taxa de franquia, gastos com treinamento inicial e material preparatório para gerenciamento do negócio. O empreendedor paga esta taxa ao assinar o contrato de franquia.

O que é o capital de giro

O capital de giro, por outro lado, é o montante necessário para o funcionamento da franquia. Sérgio Tavares, especialista em consultoria financeira, explica que o capital de giro são os recursos financeiros que se encontram em estoque, os investimentos líquidos (como ações ou títulos do tesouro, por exemplo), além de “valores em contas bancárias, os pagamentos a receber, e tudo aquilo que pode ser facilmente convertido em dinheiro para o cumprimento das obrigações negociais de curto prazo e para a manutenção do bom funcionamento da empresa”, comenta.

Por isso, é essencial que o franqueado possua uma certa quantidade de capital, suficiente para custear as despesas do dia a dia e manter a franquia funcionando: pagamento das contas de água e de energia, aluguel ou o condomínio, pagamento dos fornecedores, dos funcionários, renovação de estoque, entre outros gastos essenciais.

De acordo com o Sebrae, 50% a 60% do total dos ativos de uma empresa estão relacionados ao capital de giro. Quanto maior a necessidade de investimento em estoque, por exemplo, mais recursos financeiros uma franquia precisa ter – é neste caso que o capital de giro também atua, precisando ser maior para garantir estoque.

Cada rede franqueada estipula o valor necessário de capital de giro, variando de acordo com o porte da franquia, segmento de atuação, serviços prestados aos clientes etc. O capital de giro garante que a franquia funcione nos primeiros meses de atividade e, principalmente, mantenha uma situação financeira estável.

É importante saber a diferença entre capital de giro e investimento inicial, que são gastos diferentes. O capital de investimento é utilizado para a compra de equipamentos, maquinários, insumos, aluguel do ponto comercial.

Já o capital de giro está diretamente relacionado à reserva necessária para os itens de rápida renovação, e deve garantir as necessidades do negócio por um tempo determinado.

Como calcular o capital de giro

Papel e lápis são as ferramentas para o cálculo do capital de giro. Anote as informações principais, como as contas do caixa e do banco, se for o caso, que representam os recursos mais urgentes.

Contas a receber também devem entrar no cálculo do capital de giro. Este capital é advindo das vendas realizadas a prazo, e quanto maior for o valor e o prazo oferecido ao cliente, mais capital de giro o negócio precisará para arcar com as contas a receber, enquanto o dinheiro não entra no caixa.

O valor do estoque também deve ser levado em consideração. A quantidade de insumos ou produtos em estoque varia constantemente de acordo com as mudanças e necessidades do consumidor da franquia. O investimento em estoque exige grande quantidade de recursos financeiros e, por isso, as mudanças que envolvem investimentos constantes e aumento de itens disponíveis, irão depender dos recursos disponíveis para o estoque.

A fórmula comumente utilizada para estabelecer o cálculo do capital de giro é feita a partir da subtração do ativo circulante e do passivo circulante:

como calcular o capital de giro

O ativo circulante é definido pelo valor que o empreendedor tem no caixa – ou que receberá dentro de um ano. Ou seja, são gastos os valores positivos do patrimônio de um negócio, como contas, aplicações financeiras, valores a receber, estoque, insumos.

Já o passivo circulante, é a quantidade em débito: folha de pagamento, dívidas diversas, pagamento de fornecedores, impostos, entre outros gastos.

Portanto, o valor resultante do capital de giro líquido aponta todos os recursos financeiros necessários para manter a unidade franqueada funcionando.

Se houver um resultado negativo, é sinal para uma melhor administração dos gastos. Quanto menor for o ciclo financeiro de uma empresa, por exemplo, menor o tempo entre a necessidade de realizar pagamento e de receber os débitos, menor é a necessidade de um alto capital de giro.

Para abertura de um negócio, em que ainda não há dados sobre ativo e passivo circulante, o indicado é que o empreendedor tenha em caixa o equivalente a três meses de despesas fixas – contas de energia elétrica, água, internet, pagamento de funcionários, estoque, entre outros gastos essenciais.

Como administrar o capital de giro

O fluxo de caixa é essencial para a saúde financeira de um negócio. Este valor também indica as contas que precisam ser pagas, os capitais que irão entrar em um determinado período – valores essenciais para se ter noção sobre entrada e saída de dinheiro do caixa. O fluxo de caixa proporciona noção de quais dívidas podem ser feitas, e em quais momentos, para que o empreendedor não firme um compromisso sem ter dinheiro suficiente para pagar.

Ao trabalhar com um baixo capital de giro, ou mais grave ainda, sem um capital de giro, os riscos operacionais aumentam. O negócio corre risco de ficar com um caixa negativo, comprometendo o funcionamento dos serviços e produtos oferecidos pela marca, o pagamento de funcionários, aluguel e contas do empreendimento, entre outros gastos essenciais.

Por isso, Sérgio Tavares aconselha que a chave da saúde financeira é o planejamento “O importante para o futuro franqueado é planejar um volume de vendas que absorva a totalidade dos custos fixos e gere uma margem de lucro que possibilite arcar com os custos variáveis da operação”, acrescenta.

A falta de capital de giro faz com que muitos empreendedores recorram a empréstimos e financiamentos de bancos. Entretanto, essa estratégia contrai alguns riscos, com altos juros e termos de contrato que podem colocar a empresa em uma situação financeira ainda mais negativa. O especialista endossa os perigos da falta de planejamento e administração “Um capital de giro mal administrado pode provocar um endividamento para a empresa, e caso não haja um planejamento efetivo para reduzi-lo a empresa pode até quebrar a encerrar suas operações”, finaliza. 

 

Já sabe como calcular o capital de giro? Então confira mais sobre todas as taxas que compõem o investimento em uma franquia e saiba como entrar nesse negócio com segurança, sem sair do orçamento!

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