A Microlins nasceu em 1991 e cresceu muito rápido, consolidando-se como principal rede de escolas profissionalizantes apenas 6 anos depois de seu nascimento. Hoje, é uma das franquias mais tradicionais no país e a 7ª maior rede no segmento de educação, de acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising.

Tudo isso levantou o interesse de grandes holdings do franchising, e a marca já foi adquirida por 3 companhias diferentes em menos de 10 anos. Apesar disso, a Microlins não perdeu sua essência e segue crescendo e inovando.

Ivan Pinna, ex-presidente, franqueado e conselheiro da Microlins, explica de que forma a rede aproveitou o melhor de cada aquisição e como ele conseguiu transformar uma unidade quase falida em uma campeã de faturamento.

Aquisições e os impactos nas franquias

A força da marca Microlins sempre atraiu parceiros e acionistas, e, em 2010, atraiu também o Grupo Multi, uma das maiores holdings no segmento educacional, que adquiriu 100% da Microlins.

Apesar da mudança administrativa, Ivan conta que não houveram muitas otimizações práticas no dia a dia da franqueadora. A evolução veio somente 4 anos depois, quando a Pearson – detentora de marcas como Wizard by Pearson, Yázigi e Skill – comprou o Grupo Multi e, consequentemente, a Microlins.

“A Pearson trouxe um olhar de multinacional. Ajudou a profissionalizar ainda mais a franqueadora e a estruturar melhor nossa expansão”, conta o executivo.

Um dos exemplos dessa profissionalização foi a mudança da identidade visual, que atualizou o logo e toda a comunicação da Microlins para uma versão mais arrojada e moderna.

A Pearson também implementou, em meados de 2015, modelos de franquias mais enxutas, que exigem espaços menores tanto para alocar os alunos, quanto para abrigar a equipe administrativa. Com isso, a holding flexibilizou e barateou os formatos de franquia, permitindo que a Microlins continuasse a crescer mesmo durante a crise econômica.

A holding foi responsável, ainda, por atualizar o método da Microlins, criando a opção de ensino dinâmico. Nesta metodologia, as aulas são agendadas na unidade de acordo com a disponibilidade do aluno. No dia e horário marcado, o aluno comparece na escola e faz a aula em um dos computadores da instalação. Para garantir o aprendizado, ele conta com o apoio de um educador para sanar suas dúvidas durante e depois da aula.

O novo formato resolve dois desafios dos franqueados Microlins: atrair novos alunos e fechar turmas para iniciar os cursos. Como os valores dos cursos dinâmicos são menores do que os tradicionais, as unidades Microlins conseguem explorar um público muito maior do que faziam até então. Além disso, o método dinâmico permite que o aluno comece seu curso logo depois da matrícula, sem a necessidade de ter um número mínimo de alunos para fechar uma turma.

O executivo confirma que a mudança foi realmente positiva: “Isso foi algo que a Pearson mudou, e mudou muito bem. É um método mais moderno e que atende uma necessidade do aluno: encaixar a educação dentro da sua rotina”.

“Alguns franqueados ainda enxergam a aquisição das franqueadoras com maus olhos. Mas a verdade é que esse pode ser um movimento positivo para a rede e fundamental para a expansão.”

Em 2017, a Microlins passou a fazer do Grupo MoveEdu, que também adquiriu as redes English Talk, Pingu’s English, Ensina Mais, People, S.O.S e Prepara Cursos.

“Com a entrada da MoveEdu, sentimos que haviam pessoas realmente empenhadas em fazer a rede crescer, mas sem mudar nossa essência. Por isso, essa parceria vem dando muito certo”, revela o executivo.

Ivan relata que um dos principais pontos otimizados pela MoveEdu foi o marketing. A holding tem uma vasta expertise no segmento de educação e um grande conhecimento do mercado. Segundo o Ivan, isso tem feito toda a diferença para atrair e fidelizar mais consumidores.

As últimas inovações da Microlins
A MoveEdu também tem fomentado inovações na linha de cursos da Microlins. Robótica, oratória, inteligência emocional e certificações de tecnologia da Microsoft são algumas das novidades que estão sendo lançadas na rede.
De acordo com Ivan, as novas sugestões de cursos são sempre discutidas com o conselho deliberativo da Microlins e a MoveEdu contribui avaliando se as novidades estão ou não alinhadas com as necessidades do mercado de educação.

Ivan também contou sobre o que mudou para franqueados nas aquisições da Microlins.

Segundo ele, durante o período em que a Microlins foi comprada pelo Grupo Multi não houveram mudanças significativas para os franqueados. Quando a Pearson assumiu, as alterações na identidade visual realmente trouxeram impacto positivo para a marca, mas os franqueados não sentiram muitas mudanças no dia a dia da operação. Já com a liderança da MoveEdu, foi diferente.

Ivan percebe que o fato de o presidente da MoveEdu, Rogério Gabriel, estar muito envolvido com a Microlins e ser bastante acessível faz com que os franqueados e colaboradores sintam que são realmente importantes para a holding, e que ela está, de fato, comprometida com o crescimento de todos.

Da falência ao sucesso: o case Microlins Campo Limpo

A trajetória de Ivan tem muitos pontos de contato com a história da Microlins e conta com um case bastante interessante: o da Microlins Campo Limpo.

Ivan foi uma criança bastante introspectiva, mas que sempre tinha um ótimo desempenho nas aulas, inclusive no curso de informática que fazia. Com isso, aos 14 anos, foi convidado para ministrar aulas para outros alunos. Ele permaneceu no posto por 6 anos, mas percebeu que queria mais de sua carreira e a pequena escola de informática em que lecionava já não podia mais acompanhar os seus anseios profissionais.

Foi então que ingressou na Microlins, como instrutor. Pouco tempo depois, ele se tornaria coordenador pedagógico, gestor e então diretor de 4 escolas de uma mesma franqueada.

Mas Ivan notou, novamente, que isso ainda não era o suficiente. Ele queria ser empreendedor e liderar sua própria franquia. O executivo comprou, então, uma das franquias que gerenciava e que estava localizada no bairro em que nasceu, o Campo Limpo, zona sul de São Paulo.

Na época, a unidade estava praticamente falida: tinha cerca de 80 alunos e faturava R$ 20 mil. Uma franquia saudável tinha uma média de 350 a 400 alunos e faturamento de R$ 120 mil.

Ele conta que o desafio de reverter a situação da franquia foi atrativo, mas o ponto decisivo na aquisição da franquia Microlins Campo Limpo foi o desejo de fazer diferença na sua comunidade. “Eu acredito que o ensino gera oportunidades, e eu queria levar essas oportunidades para o lugar onde nasci e cresci”, conta.

Para alcançar esse objetivo, Ivan começou treinando e contratando os profissionais por suas competências e características comportamentais, e não só pelo currículo que tinham. Vontade de aprender, resiliência e automotivação eram algumas das características que buscava. Ele ainda apostou no marketing digital, estruturando campanhas nas redes sociais que atraíssem novos clientes.

Com o tempo, a unidade voltou a crescer e Ivan se tornou referência para outros franqueados. “Muita gente me perguntava qual era o segredo para driblar os desafios, e eu sempre respondi que era ter boas pessoas ao seu lado e saber investir nas ferramentas certas”, diz.

O sucesso foi tamanho que, em 2018, a Microlins Campo Limpo se tornou a maior unidade da rede no quesito faturamento. Para continuar dividindo seus conhecimentos e ajudando outros franqueados, Ivan criou o grupo Sangue Azul, uma associação que ajuda os franqueados Microlins a potencializarem seus resultados.

Ainda em 2018, Ivan se tornou presidente da Microlins e hoje é conselheiro da nova presidente. Ele ainda lidera 4 franquias e deve inaugurar, em breve, mais 3.

“Ser presidente foi incrível, principalmente para quem veio da periferia.”

Fechamento de franquias, uma perda necessária
Entre 2017 e 2018, a Microlins passou de 408 unidades para 384, segundo dados da ABF. Fechar unidades é sempre uma questão delicada para as redes, mas Ivan encara isso com naturalidade.
“Sempre existem os franqueados que entram no negócio pelo dinheiro e não pelo propósito. Quando outra rede oferece vantagens, são eles que saem achando que vão prosperar por lá trabalhando menos. Como queremos pessoas realmente envolvidas com o propósito e que queiram trabalhar, esse movimento nunca me incomodou”, explica.

Trajetória e dicas profissionais

Ivan revela que o segredo da transição de uma criança tímida para um profissional que está semanalmente viajando para dar palestras e consultorias foi a inteligência emocional: “entender de onde vinham as minhas limitações me permitiu encontrar caminhos para fazer o que eu achava que não tinha nascido para fazer”.

Ele ainda conta que o fato de ter vindo de uma família humilde o induziu a pensar por muito tempo que ser ambicioso e ganhar dinheiro era errado. Essa é uma concepção que ele também superou. “Entendi que o poder e o dinheiro não são elementos negativos. Também é possível fazer o bem e lutar por um propósito com eles. Mas isso exigiu um entendimento profundo da minha criação e uma verdadeira reprogramação das minhas crenças”, explica.

 “O sucesso é uma questão de decisão. Enquanto você não decidir ter ações que vão te levar ao sucesso, ele não vai chegar”

Atualmente, Ivan se divide entre gerenciar suas franquias, atuar no conselho da Microlins e ainda dar consultorias e treinamentos para profissionais e franqueados de outras redes. “Boa parte do meu tempo eu dedico às pessoas: mapear comportamentos, colocar o profissional certo no lugar certo, treinar franqueados, aconselhar e mentorar empreendedores”, explica.

Atualmente, a Microlins está entre as 40 maiores franquias do país com 384 unidades, segundo a ABF. No primeiro quadrimestre do ano abriu 36 unidades e deve inaugurar mais 40 até o fim de 2019.

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