Desafios da reabertura de franquias e como contorná-los

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desafios da reabertura de franquias
desafios da reabertura de franquias

Depois de meses de portas fechadas, alguns setores da economia retomaram o atendimento físico em diferentes cidades do país.

Porém, muitas empresas perceberam que, mesmo com a chance de reabrir, haviam outros desafios para enfrentar daqui para frente.

Embora a reabertura do comércio seja essencial para a sobrevivência de muitos setores, a pandemia criou uma série de necessidades e dilemas que não existiam anteriormente.

A seguir, enumeramos alguns dos principais impasses criados pela reabertura em meio à crise, e conversamos com especialistas para descobrir caminhos para franqueadoras e franqueados superarem esse momento.

Vulnerabilidade do trabalhador

Com a reabertura do comércio, muitas empresas recrutaram os profissionais que estavam em casa para voltar para as operações.

Esse movimento, apesar de necessário em muitos segmentos e situações, forçou os profissionais que atuam no franchising – seja nas franqueadoras ou nas unidades – a retomar a rotina de contato com outras pessoas nos transportes públicos, nos restaurantes e nas próprias empresas.

Com isso, um dos desafios imediatos da abertura é o fato de os profissionais estarem mais vulneráveis à contaminação pelo coronavírus.

Esse dilema, certamente, é um dos mais difíceis e driblar, mas Haroldo Eiji Matsumoto, sócio-diretor e consultor da Prosphera Educação Corporativa, tem algumas sugestões para lidar com essa situação.

“Acredito que os melhores guias são o bom senso e a ponderação. A franqueadora pode analisar se o franqueado tem uma reserva financeira para manter as portas fechadas e não demitir os colaboradores. Em caso positivo, que se faça isso para proteger a todos até que se estabilize mais a contaminação”, indica.

Se isso não for possível e a retomada das operações presenciais for mandatória para a sobrevivência do negócio, o especialista diz que a franqueadora deve indicar (e monitorar o cumprimento de) todas as medidas de distanciamento, higienização e capacidade máxima de acordo com o segmento e os protocolos de reabertura.

Haroldo também indica que não haja afobação e nem exageros com a retomada. Mas que se entenda esse passo como uma experimentação.

“É preciso ter consciência de que esse é um teste que o governo faz para ir gradualmente aumentando ou diminuindo o período de atividades conforme os índices de ocupação nos hospitais e contaminação”, reforça.

Altos custos para adequação

Para abrir as portas para a população, as franquias também estão tendo que fazer investimentos altos para readequação.

Além de consolidar estoques de produtos como álcool em gel, máscaras, luvas e outros itens para higiene e limpeza, as unidades também devem fazer ajustes estruturais, como a instalação de placas de acrílico nos caixas e entre as mesas dos restaurantes.

Todo esse custo pode pesar no bolso dos franqueados, principalmente daqueles que já tiveram prejuízos nos meses de fechamento.

Além disso, reabrir significa voltar a pagar aluguel, despesas de água, luz, internet e outras contas.

Encontrar uma solução para equilibrar o orçamento reduzido e os gastos altos não é simples, mas uma ação que pode ajudar é a franqueadora se colocar à frente das negociações.

“As franquias devem retomar suas operações com custo fixo reduzido. Isso envolve negociações com aluguéis, operação direta do franqueado, economia de insumos entre outras ações para redução de custos”, afirma Lucas Atanazio Vetorasso, estrategista, especialista do franchising e fundador do Grupo ATNZO.

Em último caso, a franqueadora também pode auxiliar os parceiros a encontrarem linhas de crédito para aumentar o capital de investimento e viabilizar toda a estrutura necessária para uma reabertura mais segura.

Falta de confiança do público

Para muitas companhias, a reabertura não tem rendido os resultados esperados.

Apesar de as unidades estarem de portas abertas, o fato de o coronavírus continuar avançando no país deixou muitos consumidores inseguros em fazer compras, principalmente se elas não forem essenciais.

Esse desafio, porém, pode ser minimizado em alguns casos.

“Acredito que a comunicação é crucial para transmitir segurança e incentivar que os clientes voltem aos estabelecimentos e façam suas compras presencialmente. Mostrar quais as medidas de segurança estão sendo adotadas pela franquia vai colaborar no retorno”, projeta Haroldo.

Essas medidas devem ser amplamente divulgadas nos canais de comunicação da marca, incluindo redes sociais, e-mail, releases de imprensa e qualquer outro meio de contato que possa transmitir informações para o público.

Obviamente, para que essa sensação de segurança seja vivenciada na prática, as ações de higiene e proteção deve ser realmente adotadas pelas equipes das franquias. Nesse sentido, as franqueadoras precisarão, antes, investir em treinamento e orientações sobre as práticas que precisam ser implementadas.

Retomada da expansão

A crise fez com que muitas franqueadoras tivessem que tomar duras decisões sobre a expansão.

Enquanto algumas mantiveram a prospecção ativa e conseguiram crescer neste período, as redes que sentiram a necessidade de desacelerar ou pausar os processos de expansão precisam se preparar para voltar a fechar negócios nos próximos meses.

Para manter a expansão ativa, Haroldo recomenda que as franqueadoras comecem analisando seus desempenhos durante a crise e projetando como ficarão os negócios daqui para frente.

“A franqueadora deve compreender se o aumento ou queda de vendas aconteceu por conta da pandemia e verificar se, após a normalização, o segmento continuará a crescer, pois deverá argumentar frente a esse questionamento dos investidores”, afirma Haroldo.

Com essa análise, as franqueadoras também podem estruturar os próximos passos da expansão, como a criação de novos segmentos de venda e modelos de negócio que esteja mais alinhados com o momento atual.

Neste sentido, criar formatos de franquias com custos reduzidos, que podem ser operadas virtualmente e com estrutura em home office, podem ser boas saídas para atrair os investidores no pós-crise.

Para Lucas Atanazio, apesar da crise, as redes que oferecerem boas condições não devem encontrar problemas para fechar negócios: “Os investidores mais experientes estão incrivelmente ativos nesse momento, e haverá muita mão de obra qualificada sem colocação no mercado, o que faz com que negócios possam ter um novo oxigênio”.

E finaliza: “na hora que o mercado retomar de vez (e sabemos que vai), o aquecimento será ainda mais forte para o negócio que começou leve e na hora certa”.

Gerenciamento de novos canais e estratégias

Muitas vezes, são as dificuldades que impulsionam a inovação.

Várias redes de franquias conseguiram reduzir os efeitos negativos da crise porque desenvolveram novos produtos, formas de comunicação, canais de vendas e estratégias específicas para o momento.

Muitas deram certo, e várias redes já sinalizaram que vão manter essas novidades mesmo com a reabertura das franquias.

Porém, para isso, é essencial que elas não sejam mais vistas como ações emergenciais, mas sim incorporadas à operação normal dos negócios.

Gerenciar as ações tradicionais e as inovadoras, porém, exige uma postura bastante estratégica dos líderes e uma comunicação aberta para saber o que pensam os franqueadores.

As companhias que conseguirem obter insights com a crise e aproveitar os aprendizados, certamente sairão na frente.

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