A taxa de franquia está longe de ser o único destino do orçamento de quem quer investir em franchising. Ainda que seja um dado importante, o montante necessário para o investimento inicial vai muito além – e é preciso ter as contas na ponta do lápis para fazer o negócio decolar.

“A maior parte das empresas fecha por não fazer um bom planejamento prévio, esquecendo de orçar o capital de giro ideal até alcançar o ponto de equilíbrio”, alerta Alex Vigatto Silva, sócio-consultor da GoAkira.

Calcular o capital de giro ideal e estar preparado para lidar com os primeiros meses de negócio faz toda a diferença e pode definir ou não o sucesso da unidade. Gastos com ponto comercial, equipamentos, estoque, funcionários e despesas fixas devem ser considerados antes do contrato ser fechado.

Segundo Bianca Zeitoun Oglouyan, consultora da TEAR Franchising, a fase inicial do negócio pede atenção e planejamento redobrados: “é uma fase em que o empreendedor precisa ter muita calma, pois o dinheiro só sai, ainda não entra; isso muitas vezes gera ansiedade e tensão, as expectativas estão muito elevadas”.

Para ajudar nos cálculos e chegar ao orçamento ideal para investir em uma franquia, confira os itens que não podem faltar na hora das contas:

Ponto comercial

Se a franquia escolhida não tiver operação home based, você vai precisar arcar com os custos de um ponto comercial. E, dependendo do ponto, o valor de investimento inicial pode aumentar bastante.

No caso de lojas de rua, pese a relação custo-benefício levando em conta o fluxo de pessoas do local, o valor do aluguel e se o imóvel está realmente nas condições que você precisa.

Espaços em shoppings centers vão exigir do empreendedor a Cessão de Direito de Uso (CDU) ou luvas, valor que também deve entrar no orçamento. Porém, Silva conta que nesse caso o empreendedor estará fazendo outro investimento: “caso a franquia não tenha sucesso, o franqueado ainda poderá vender ou repassar o ponto para outro empresário”.

Ainda com relação ao ponto comercial, não deixe de fora das contas os gastos com mobiliário, equipamentos e tudo o mais necessário para colocar a unidade em funcionamento.

Se for preciso reformar, Bianca sugere que o orçamento das obras seja feito de antemão. “Vale avaliar o custo de obras e reformas antes de fechar o ponto para evitar surpresas desnecessárias e custos que podem aumentar em função do estado do imóvel”, aconselha a consultora.

Royalties e fundo de propaganda

Embora algumas franquias não cobrem royalties e fundo de propaganda, várias outras exigem essas taxas – que já estarão explicitadas nos dados da franquia.

Geralmente, a cobrança é mensal e, no caso das taxas terem um valor fixo, é preciso avaliar qual será o impacto no negócio e estar preparado para arcar com esses custos já no início.

“Esse método de cobrança aumenta a necessidade de capital de giro, mas a vantagem é que elas não crescem conforme o aumento do faturamento, portanto, maior será a lucratividade do franqueado”, assinala Silva.

Funcionários

Se o modelo de negócio escolhido exigir a contratação de funcionários – operadores de caixa, vendedores, atendentes ou garçons, por exemplo – é necessário prever como vai ficar a folha de pagamento.

Na hora de definir os salários, é importante consultar tanto a franqueadora, para entender as práticas ou políticas de cargos e salários da rede, quanto órgãos reguladores e associações locais, visto que o piso salarial das categorias muda conforme a região.

“Vale a pena também checar as práticas do comércio local para se adequar ao mercado, tanto em relação a salário fixo, como a comissões, bônus e bonificações”, indica a consultora da TEAR.

Despesas fixas

Aluguel, custos com a equipe de funcionários e taxas de royalties e propaganda não são as únicas despesas fixas com as quais o franqueado precisará arcar. Custos cotidianos básicos e essenciais para o funcionamento pleno da unidade também devem ser levados em conta no momento de se planejar.

Entre essas despesas, Bianca atenta para: custo de ocupação (IPTU, condomínio, fundo de promoção, além do aluguel), custo de mercadoria vendida (CMV), embalagens, água, luz, telefone, internet, sistema, contador, impostos, manutenção, custos administrativos.

Ter uma ideia de quanto cada um desses itens vai custar é fundamental para ter clareza do real investimento necessário e não se ver apertado com as contas quando a unidade começar a funcionar.

Capital de giro

Com todos os detalhes pensados e colocados no papel, calcular o capital de giro ideal para a segurança e o bom funcionamento da franquia torna-se muito mais fácil.

Não existe um único valor ideal, isso vai depender muito da franquia: a região em que está instalada, o segmento em que atua, a marca, o modelo de negócio, o que ela precisa para se sustentar. “Empresas que têm um recebimento parcelado normalmente exigem um maior capital de giro, pois pagam os fornecedores antes de receberem dos clientes”, exemplifica Silva.

Para chegar ao seu capital de giro ideal, o consultor ensina que deve ser feita uma projeção de fluxo de caixa, levando em conta todos os custos e despesas, assim como o crescimento do faturamento esperado. O resultado será o orçamento mínimo que o negócio precisa para funcionar.

Antes de investir, faça uma boa poupança. “É sempre bom ter uma reserva de seis meses de custeio de despesas pessoais e de, no mínimo, três meses de custos fixos do negócio. Isso dará tranquilidade ao empreendedor para viver a curva de aprendizado do negócio sem se desesperar”, aconselha Bianca.

Conferir e planejar cada detalhe vai ajudá-lo a ter uma visão clara do quanto será preciso investir de fato, lhe permitindo ficar preparado para o futuro da franquia, com um investimento consciente e com um negócio de sucesso.

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