Ao pensar em abrir uma empresa, todo empreendedor pensa em gastar o mínimo possível, fazendo o melhor trabalho dentro do panorama do mercado escolhido. É claro que tem aqueles que gastam mais, desembolsando uma verba maior para montar o negócio, enquanto outros dispõem de menos recursos para tirar o projeto do papel. Mas, uma coisa é certa: quem vai montar um negócio usando apenas recursos próprios, sem contar com empréstimos ou investidores, precisa saber muito bem o que fazer com esse dinheiro.

Nesse cenário, qualquer erro pode ameaçar não só o caixa, mas também os planos de crescimento. Apesar de esse caminho não ser nada fácil, é possível ter sucesso ao montar um negócio com pouco dinheiro.

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“Algumas marcas surgem de idéias criativas e têm início com investimento muito pequeno, se tornando grandes marcas com sucesso. No entanto, para começar um novo negócio, o empreendedor deve estar preparado para não ter lucro imediato, pois às vezes você trabalha por mais de um ano sem retorno financeiro”, diz Mércia Machado Vergili, consultora da GSPP SP.

A especialista completa: “para começar um negócio sem dinheiro para investimento ele tem que ser algo que possa ser adaptado na estrutura de casa e com trabalho do próprio investidor e, às vezes, com ajuda de um familiar”.

Determinação, planejamento e organização são necessárias para o desenvolvimento do negócio. Motivação também, para que o empreendedor encontre forças para continuar. É preciso também tomar cuidado com as soluções que podem ser uma roubada, como explica Mércia. “Não pegue empréstimos que venham inviabilizar o negócio. Traçar metas e objetivos que possam ser atingidos e gradualmente ir aumentando o seu empreendimento é fundamental para se dar bem nesse cenário”, aponta a consultora.

Tenha sempre em mente que ao montar um negócio com pouco dinheiro sua grande realização será criar algo que deu certo e que que é fruto de muito trabalho duro.

Para o economista e consultor do Sebrae, Sergio Dias, o planejamento inicial é imprescindível para começar a tirar o sonho do negócio próprio do papel. A inauguração de uma empresa demanda gastos de diferentes formas, como a abertura e registro, instalação do ponto, compra de equipamentos, compra de insumos ou produtos para venda, contratação de colaboradores, propaganda e material de divulgação, entre outros pontos.

“Não necessariamente essas despesas precisam acontecer ao mesmo tempo, e sem que o negócio comece a ter receita. O importante é elaborar um plano de negócios e uma planilha de gastos, antes de começar qualquer compra. As despesas de abertura e registro da empresa não são muito elevadas e o empreendedor consegue orientação com entidades como o Sebrae”, explica Sergio.

O consultor ainda comenta que a aquisição ou aluguel do local de instalação pode ser objeto de negociação com o proprietário do imóvel, sob forma de parceria ou sociedade, por exemplo. A contratação de pessoal colaborador será necessária quando o negócio estiver em funcionamento, ou se o próprio empresário não conseguir assumir todas as funções do negócio. “O importante é ter um bom planejamento financeiro para iniciar o negócio, sem incorrer em dívidas que podem prejudicar o resultado”, complementa.

Mas, depois de todo o passo a passo dos gastos em mente, como organizar o orçamento para abrir um negócio? É preciso ter duas questões em mente: o custo fixo do negócio que, mesmo sem faturamento, o empreendedor vai ter que arcar no final do mês; e o custos fixos pessoais.

“No valor do custo fixo, entram gastos com equipe, aluguel do espaço, parcela de equipamento, custo de luz, água, compras de material, matéria prima. Todos os custos para que o empreendedor faça o negócio funcionar, lucrando ou não”, explica Brunno.

É essencial ter os custos pessoais, importantes para a existência do empreendedor, bem delimitados. “Uma das principais causas de fechamento de empresas se deve justamente às pessoas que misturam os custos pessoais com os custos da empresa. Elas acabam fazendo repasses de receita para cobrir um ou outro – tiram do pessoal para bancar a empresa e vice e versa – e no final das contas perdem o controle sobre esse fluxo de caixa”, reitera Brunno.

A falta de planejamento do capital de giro também pode causar outro problema: sem previsão do custo fixo do negócio, o empreendedor não fica preparado para caso não atingir o faturamento esperado e, consequentemente, perde a receita estimada.

Montando um negócio em casa

Dos gastos necessários para começar um negócio, empreendedores conseguem encontrar alternativas para economizar capital, que pode ser fundamental para futuros investimentos da empresa.

O especialista em empreendedorismo, Brunno Galvão, comenta que quando o assunto é economia para novos negócio, é essencial entender que o empreendimento é um projeto piloto e, por isso, não precisa ser perfeito logo no início.

Trabalhar de casa, o famoso home office, é uma ótima estratégia. Entretanto, é importante estabelecer uma rotina, como se o trabalho fosse feito em qualquer local comercial.

“A rotina é fundamental. Nem sempre o empreendedor vai ter hora para terminar, mas para começar é extremamente necessário. Sugiro seguir um ritual, exatamente como faria se fosse deslocar para um local de trabalho. Acorde, tome banho, troque de roupa… isso cria um gatilho mental, como se a partir daquele momento você entrasse em ‘modo trabalho’ e saísse, consequentemente, do ‘modo casa'”, aconselha Brunno.

Brunno também aponta outras possibilidades que aliam economia e alternativas de locais de trabalho, uma delas é o coworking. Neste ambiente, o empreendedor encontra um ambiente de trabalho e ainda tem a possibilidade de fazer networking com outras pessoas que também estão trabalhando no espaço. Ambientes de trabalho coletivo também oferecem salas de reunião, que podem ser alugadas de acordo com a necessidade de cada frequentador.

Quanto ao trabalho realizado dentro da própria casa, o especialista explica que é preciso ser realista com o real momento do negócio: “se você está oferecendo, por exemplo, um serviço de quentinhas saudáveis – o que está super na moda – você não vai começar com uma cozinha industrial. Vai começar em casa mesmo. Mas, precisa entender quais equipamentos são essenciais para o início, lembrando que itens semi novos ajudam muito a diminuir o custo. Não vá para uma compra de um utensílio novo se não fizer realmente sentido ou se a diferença entre o novo e o usado seja muito pequena. Considere também se os produtos que porventura sejam adquiridos novos têm uma garantia longa. Se forem só de três meses não vale a pena”, afirma Brunno.

Como montar um negócio com pouco dinheiro investindo em franquia

Como montar um negócio com pouco dinheiro investindo em franquia

Uma alternativa para quem busca oportunidades para montar um negócio com baixo investimento é optar por franquias. Uma vez que as franquias oferecem um modelo de negócio já testado – e aprovado – essa pode ser uma boa estratégia para economia de dinheiro. “Mas não pode-se esperar que a franquia dê o retorno financeiro como de salário”, comenta Mércia.

Pensando nisso, as nano franquias ou microfranquias podem ser boas opções para início de experiência de empresário. “É necessário ter como se manter nos primeiros meses e entender a necessidade de trabalho que o franqueado deverá desempenhar”, aconselha a consultora da GSPP.

Mais: ao entrar em pequenas franquias, é preciso estar com a expectativa correta de retorno do investimento de tempo e dinheiro que você terá. Além disso, as franquias baratas permitem que o franqueado teste sua habilidade no mundo de negócios, o que também é uma vantagem nesse universo de abertura de negócio em um cenário de poucos gastos.

Para o consultor do Sebrae, franquias de serviços costumam ser os segmentos que demandam menor investimento, uma vez que o principal recurso é o conhecimento para atuação na área e a habilidade do empresário.

“Normalmente, uma franquia de serviços não demanda investimentos em equipamentos e em instalações, por exemplo. Os os insumos são de menor monta, já que o serviço está baseado no trabalho do profissional e, em muitos casos, não requer equipamentos para ser executado”, pontua Sergio Dias.

Brunno Galvão complementa que as revendas de produtos de menor valor também são algumas das franquias que demandam investimento menor. “Nesse tipo de negócio é fundamental o franqueador entender que ele precisa estar dentro da operação, colocando a mão na massa, acompanhando a rotina do negócio, vivendo o dia a dia do empreendimento. Esse tipo de franquia não é para quem quer diversificar investimento. É uma franquia onde o empreendedor será, muitas vezes, o único funcionário”, argumenta o especialista.

Investimento em franquias baratas

Para abrir uma franquia, o empreendedor precisa conhecer os pontos que constituem o investimento em franchising. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o investimento total é a soma do capital de instalação, a taxa de franquia e o capital de giro.

O capital de instalação é o valor necessário para abrir o negócio. No caso de franquias home based, é o investimento com a adaptação de um cômodo da casa, a compra de equipamentos e produtos exigidos pela franqueadora. Para unidades de loja, por exemplo, são os custos com aluguel, reformas exigidas pela marca, compra de equipamentos, instalações elétricas e outras adaptações necessárias.

A taxa de franquia é o valor pago pelo empreendedor à franqueadora pelo direito e uso da marca, formatação, treinamento e transferência de know-how. Geralmente, é cobrada somente uma vez, logo no início do contrato da franquia.

O capital de giro é o investimento voltado para cobrir necessidades de caixa da empresa na rotina de gestão da unidade, pagamento de funcionários, e eventuais gastos. Os valores de investimento são variáveis de acordo com o segmento da franquia, porte da unidade, necessidade de instalações e atuação no mercado.

Para começar a investir em um negócio, é comum que muitos empreendedores recorram a um financiamento. Brunno Galvão alerta para este tipo de captação de investimento, em que as altas taxas de juros podem ser um risco, caso o empreendedor não tenha margem de lucro fixa para o negócio.

“Se estivermos falando de um negócio de compra e venda de um produto, é preciso entender que isso vai abater do lucro final. Se uma franquia entrega de 8% a 12% de lucro fixo, e o empreendedor pega um financiamento com a taxa de juros de 4% ou 5%, uma boa parte do lucro é só para pagar empréstimo. É bem importante entender essa questão. Além disso, o empreendedor precisa lembrar que está aumentando o custo fixo dessa operação, trazendo mais risco para o negócio”, explica Brunno.

Com os financiamentos também é exigido um maior capital de giro para o investimento, que será consumido em uma fase em que a operação ainda não lucra. O especialista aconselha que os financiamentos podem não ser saudáveis para uma empresa mas, em muitos casos, são a única alternativa para captação de recursos.

Neste ponto, é fundamental entender a margem líquida para viabilizar o investimento. “A única vantagem é quando você não tem nenhuma outra fonte de receita. Mas é sempre recomendado que você vá captar investimento com tipos de investidores menos arriscados, como família e amigos”, finaliza Brunno.

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* A matéria também conta com apuração de Lygia Haydée.

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