Seu negócio já está maduro e estabilizado, e você acha que precisa de uma força extra nos próximos passos? Talvez seja a hora de realizar uma conversão de bandeira. Tendência no fim dos anos 1990, a conversão de bandeira voltou com força – cada vez mais redes investem nessa estratégia.

Segundo Mércia Vergili, sócia diretora do Grupo Soares Pereira & Papera – GSPP Consultoria, a conversão de bandeira é a troca de uma marca para outra. “Pode ser a troca de uma franquia por outra ou o mais usual, a conversão de sua marca individual em uma marca já consolidada de franquia”, explica.

Muitas redes também buscam por marcas individuais, com o intuito de transformá-las em suas franqueadas. Tais pequenos e médios empresários podem já possuir um conhecimento do mercado local e, assim, contribuir com a expansão tanto da franqueadora quanto de seus negócios.

Um bom exemplo desse caso é a Petland, franquia de pet shops. Em 2017, o foco da rede foi converter lojas em Curitiba e interior do Paraná em franquias da marca.

“A tendência para os próximos anos é que a conversão corresponda a mais de 50% da nossa operação. Com o suporte da rede, o empresário consegue melhores descontos com os fornecedores, um pacote de ferramentas de gestão, consultoria de campo mensal, avaliações de loja direcionadas, eventos focados em inteligência de vendas e grandes melhorias de margens de lucro”, explicou Rodrigo Albuquerque, sócio-diretor da empresa, em comunicado à imprensa.

Mércia explica que, para valer a pena, a conversão de bandeira deve ser realizada quando seu negócio já atingiu o limite de crescimento individual. Com maior estrutura, através da conversão do negócio em franquia, as possibilidades de crescimento aumentam.

Vantagens e desvantagens da conversão de bandeira

Antes de se decidir pela conversão de bandeira e começar esse novo processo, é importante ter em mente o que o futuro pode te reservar.

Mércia afirma que, para transformar seu negócio próprio em franquia, é necessário conhecer quais vantagens de realizar a conversão. “As franquias têm processos, normalmente, mais desenvolvidos e estruturados do que nos negócios individuais”, conta a consultora, complementando ainda que é importante que a franquia possua mais força do que a marca individual.

Outro ponto que chama a atenção é o gerenciamento do negócio pós franqueamento. Com todo o suporte de uma grande empresa por trás, o foco do empreendedor pode ser aplicado inteiramente em conquistar clientes e gerenciar seu negócio, deixando o trabalho mais burocrático como responsabilidade da rede.

Além disso, a franquia pode agregar valor ao negócio individual, melhorando a operação, seus controles, acompanhamentos, treinamentos e ainda estreitar relação com fornecedores. Este último ponto é considerado muito interessante por Mércia, pois dá acesso a produtos por preços muito menores do que se fossem adquiridos por uma pequena empresa individual.

Ainda segundo comunicado à imprensa, Rodrigo Albuquerque afirmou que a conversão de bandeira da Petland ficou comprovada como uma opção rentável para donos de pequenos negócios. Em uma das lojas em que realizou-se a conversão para franqueada Petland, o faturamento cresceu em mais de 80%.

Um dos causadores desse grande aumento de faturamento é a força de marca. Franquias consolidadas e conhecidas trazem confiança, além de já estarem fixadas na mente do consumidor. Além disso, muitas franquias buscam estar atualizadas com tecnologias e técnicas diferentes, que ficam mais acessíveis ao empreendedor atuando como franqueado.

Mesmo que a conversão possa ser bastante vantajosa, é preciso também analisar quais são os riscos e desvantagens desse processo. Mércia explica que franqueados possuem limites de território de atuação, por exemplo, além de, na maioria dos casos, ser necessário pagar royalities. Com o aumento do faturamento, é preciso analisar se a taxa de royalities é pesada para o empreendedor.

Mércia também afirma que pessoas criativas e atuantes podem sentir como desvantagem a limitação da inovação ao converter o negócio próprio em franquia, pois, nesse sistema, tudo precisa passar pela franqueadora.

Existe ainda a questão emocional. Por ser um negócio independente, muitos empreendedores são apegados a alguns pontos, como por exemplo o nome de sua empresa, principalmente quando falamos de negócios familiares.

Com certeza, realizar uma conversão de bandeira conta com diversos pontos positivos e outros negativos. Por isso, certifique-se de se informar o máximo possível e, sempre que possível, conversar com outros empreendedores que passaram pela conversão de bandeira – ou cogitaram a possibilidade – no passado.

Informações importantes sobre conversão de bandeira

Muitos empresários procuram pela conversão de bandeira para poder enfrentar a concorrência, enquanto franquias procuram por empreendedores interessados para potencializar sua expansão. Antes de tomar decisões, existem uma série de informações que você precisa obter.

Primeiramente, é necessário entrar em contato com a franqueadora em que você possui interesse, caso não seja ela que tenha lhe procurado. Procure saber profundamente de todas as vantagens que ela lhe oferecerá: treinamentos para você e sua equipe, processos necessários para o funcionamento, investimento inicial e muito mais. Muitas dessas informações já estarão presentes na Circular de Oferta de Franquia, mas não deixe de solicitar informações mais específicas para casos de conversão de bandeira.

Analise também qual é a força do seu negócio e a força da rede. Mércia avisa que é essencial que a franquia possua mais força que o negócio individual, caso contrário a conversão não será vantajosa para o empreendedor. “Tudo isto tem que trazer resultados financeiros melhores”, explica a consultora.

É bom manter em mente também que será necessário realizar uma série de adaptações. Desde o projeto arquitetônico até no modo de operação do negócio; então, o empreendedor deve estar aberto a mudanças. Como você estará trocando de marca, é preciso entender que tanto a empresa quanto seu estilo deverão refletir e seguir as diretrizes a nova marca.

Para ser um franqueado, a primeira característica necessária é ser empreendedor, o que o empresário de negócio independente já é. Além disso, é necessário saber trabalhar em grupo, não apenas com a sua equipe, mas também com a franqueada.

É importante também que o franqueado esteja aberto a sugestões, segundo Mércia. “Aceitar participar e multiplicar os treinamentos, saber que não trabalha sozinho e sim em um grupo com franqueador e franqueados” são outras características importantes citadas pela consultora da GSPP.

A franqueadora deverá dar todo o suporte necessário para que a transição aconteça sem dores de cabeça. Idealmente, sua equipe deverá oferecer orientações e apoio para que a adaptação à nova marca aconteça com sucesso, e que toda a equipe consiga trabalhar com a nova forma de operação aplicada.

Mércia também explica que “antes da decisão, o contato com franqueados da nova marca poderá mostrar se a proposta apresentada trará realmente os benefícios esperados”. Mesmo que não sejam franqueados que passaram pela conversão, conversar com esses empreendedores lhe ajudará a entender melhor a rede e o dia a dia dessa relação.

Como em qualquer situação de assinatura de contratos, vale sempre a pena procurar por um advogado. É interessante buscar advogados que sejam especializados em negócios de franquia, já que esses profissionais possuirão um conhecimento superior nessa área. Desde a Circular de Oferta da Franquia até a assinatura de fato do contrato, um bom advogado oferecerá explicações e poderá ajudar na negociação de pontos que não estejam claros ou não sejam benéficos.

Converter seu negócio próprio e independente em franquia é um processo trabalhoso, mas que oferece uma série de vantagens. O importante é pesquisar bastante e estudar a situação, sempre pesando os benefícios e malefícios.

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