Franquear uma ideia que deu certo pode ser considerado sinônimo de sucesso. Porém há precauções que devem ser tomadas, e o presente artigo busca aferir o que pode ser feito para auxiliar na transformação de uma loja de sucesso em uma franquia de sucesso.

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Conhecendo o próprio negócio

Há vários tipos de empreendedores, mas superficialmente, pode-se distinguir o seguinte: há aqueles que sabem em que estão investindo, portanto possuem um plano de negócios; e há aqueles que dispõem de uma quantia excedente aplicada na poupança ou algum outro título e gostaria de investir naquilo que se identificam.

O empreendedor que sobrevive às dificuldades financeiras impostas pela economia e que está em constante evolução pode dizer que criou um negócio de sucesso. Contudo, pode ser que o negócio de sucesso desse empreendedor não possa ser expandido através do sistema de franquia, sendo importante uma análise prévia do negócio.

O empresário de sucesso que deseja expandir sua marca pelas diversas localidades deve entender que o tipo de negócio que fez sucesso em uma região, não necessariamente fará sucesso noutra, portanto há que se fazer um estudo sobre as regiões em que o negócio possa ter sucesso e qual o máximo de unidades por região (geomarketing).

Ora, uma empresa de consultoria agrícola não tem condições de sobreviver no centro de uma capital do Rio de Janeiro, então, deve-se saber exatamente para onde o negócio pode ser levado.

O empresário deve ter exata noção daquilo que seu negócio pode render, como funciona a produção e quais são os meios que poderia otimizá-la, como é o sistema de gestão do negócio e o principal, qual é o público-alvo, entre outras informações.

Entendendo qual é o melhor tipo de região, a produção, o sistema de gestão, o controle financeiro, etc., o empresário já pode pensar em franquear o negócio.

O verbo “pensar” está em negrito pelo seguinte: não é porque o empresário domina seu negócio que ele estará apto a franqueá-lo.

Franquia é um nicho complexo.

Deve ser feito uma autoanálise de si mesmo: como empresário e como pessoa, até mesmo para que se possa entender se o empresário teria perfil para se tornar um franqueador e assim dividir o know how adquirido na sua operação.

Muitos empreendem para não receber mais ordens de chefes e ter sua liberdade laboral, outros para faturar muito. Diante disso, o potencial franqueador deve entender que no sistema de franchising ele ficará atado a uma rede, basicamente composta por aqueles que estão interessados em investir na marca e utilizar o know how desenvolvido (franqueados).

O empresário deve se atentar que a receita do franqueador é chamado de royalties, e que pode ser necessária a implantação de inúmeras lojas para que a empresa franqueadora passe a ter lucro.

Padronização

Quando o empreendedor se consolidar no negócio e quiser franqueá-lo, deverá padronizar o seu negócio para que o modelo possa ser replicado, significando que deverá criar regras que se referem ao aspecto físico da loja, atendimento e produtos. Todas as unidades deverão utilizar as mesmas cores, com o mesmo tom, com o mesmo mix de produtos, com o mesmo sistema que a unidade sede, com o mesmo tipo de produção, etc. Quanto aos meios de produção e treinamento, comumente tudo isso deve ser disponibilizado através de manuais e treinamentos presenciais ou à distância.

Análise do investimento inicial

Depois que o negócio tiver um padrão, é possível mensurar o valor do investimento, que deverá ser disponibilizado em um instrumento de caráter informativo (a COF: circular de oferta de franquia). Na COF deverá ser discriminada a estimativa do investimento inicial necessário para a aquisição, implantação e entrada em operação da franquia (inciso VII, do artigo 3º da Lei de Franquia) .

Para mensurar o valor do investimento inicial, o franqueador contará com o auxílio de profissionais do ramo da construção e arquitetura, consultores especializados, advogados, etc.

Circular de Oferta de Franquia e outros documentos

Decidido pela expansão do seu negócio através da franquia, o empresário da loja de sucesso deverá contratar especialistas para confeccionar os seus documentos, dentre eles: manuais, Circular de Oferta de Franquia, Contrato de Franquia.

A Circular de Oferta de Franquia deve respeitar as disposições previstas no artigo 3º da Lei de Franquia (Lei nº 8955/94).

Hora de franquear

Quando a loja de sucesso cumprir com todos os requisitos administrativos (sistema de produção e gerência financeira), arquitetônicos (padronização da loja) e jurídicos (elaboração de todos os instrumentos legais: COF e outros, e particulares: pré-contrato e contrato), estará na hora de franqueá-la, devendo o empresário buscar candidatos com as características que entender fundamentais em um franqueado.

Conclusão

Sinteticamente, franquear uma ideia ou um negócio de sucesso onde o empresário tenha certeza que terá aceitação do público-alvo e cativará investidores (potenciais franqueados) pode ser uma boa ideia, afinal, franquear não é difícil, contudo, requer dedicação. Havendo um negócio de sucesso, passa-se à criação de regras e métodos que serão seguidos pelos outros.

Deve-se alertar para o seguinte: ser franqueador, assim como se tornar um franqueado, não se admite amadores. Quem quiser entrar no mundo das franquias deve se preparar e estudar o mercado de franquias, pois é um nicho complexo e sui generis. Aquele que franquear e se dedicar, poderá ter muito sucesso e se tornar referência no seguimento.

Importante pontuar, por fim, que tanto os empreendedores experientes (conscientes dos riscos do mercado) quanto os inexperientes (empreendedores de primeira viagem) estão sujeitos aos riscos que são inerentes ao mercado (financeiro/econômico).

* Com contribuição de Edmilson João Vieira Neto

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Marina Nascimbem Bechtejew Richter
Sócia do escritório NB Advogados. Autora do livro “A Relação de Franquia no Mundo Empresarial e as Tendências da Jurisprudência Brasileira”, é bacharela em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo especialista em Direito Societário, Contratos e Contencioso Cível. Tem especialização em Direito Societário, junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV) e também em Direito dos Contratos pelo LL. M IBMEC/INSPER-SP. É membro da Ordem dos Advogados do Brasil, de São Paulo; Associação dos Advogados de São Paulo (AASP); e Associação Brasileira de Franchising (ABF).

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