Começar o negócio com uma marca forte é considerado uma grande vantagem. Contar com um suporte por trás, oferecido por empreendedores mais experientes e que se interessam genuinamente pelo seu sucesso confere segurança. São por motivos como esses que muitas pessoas se interessam pelo franchising e procuram empreender nesse modelo de negócio. Porém, por onde começar?

Primeiro, é necessário entender o que é exatamente o franchising. Segundo Joner Dornelles, consultor do Grupo Soares Pereira & Papera, o franchising é um modelo de estratégia comercial para expansão de uma determinada marca. Ao alinhar os interesses comuns entre franqueadora e franqueado, esses tornam-se parceiros que trabalham pelo sucesso e lucro de ambos.

O sistema de franquias está no Brasil desde a década de 1960, e é regulado pela Lei nº 8.955, sancionada no dia 15 de dezembro de 1994. Tal lei veio para trazer mais segurança para todas as partes, evitando problemas futuros.

Desde então, o mercado de franquias no Brasil cresceu muito. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelou em seu relatório de desempenho do setor do terceiro trimestre de 2017 que o Brasil conta com 2.979 redes diferentes, totalizando 144.074 unidades em todo o território. Tais redes geram mais de 1,2 milhão de empregos diretos, com projeção de crescimento de 7 a 9% em 2017.

Começar do zero ou investir em franquia: qual é a diferença?

Uma dúvida comum de quem começa a pesquisar o universo do franchising é se esses sistema realmente vale a pena ou se é mais vantajoso começar o próprio negócio do zero. Aqui, tudo vai depender dos objetivos e do perfil de cada empreendedor.

Para Joner, em negócios com outros modelos, o empreendedor terá que desenvolver marca, testar produtos ou serviços, definir perfil do consumidor, canais de distribuição, promover ações de marketing para lançar a marca no mercado, dentre outros. Já em uma franquia, essas etapas não são de responsabilidade do franqueado, e sim do franqueador.

“No sistema de franquias essas etapas já foram desenvolvidas e testadas pelo franqueador, portanto, as chances de obter sucesso através de franquias são bem maiores, além de serem mais seguras”, afirma o consultor.

Operar uma franquia é uma das formas mais seguras de empreender. Segundo um levantamento da consultoria Neoway, a taxa de mortalidade de unidades de franquia é de apenas 4,3% nos cinco primeiros anos. Em negócios próprios, essa realidade é diferente: de acordo com o IBGE, seis em cada dez empresas fecham antes de completar cinco anos de mercado.

Segundo Joner, o franchising ainda traz as vantagens de operar uma marca consolidada, conceito de negócio já testado, métodos de gestão empresarial, fornecedores definidos, economia de escala, público alvo definido, troca de experiência e ainda contar com suporte constante da franqueadora. Investir em uma franquia é também contar com uma rede de contatos.

Ao demonstrar o interesse, o candidato a abrir uma franquia deverá receber da franqueadora a Circular de Oferta da Franquia – um documento com um raio-x da empresa, que precisa contar informações desde a saúde financeira da rede até contato de franqueados e ex-franqueados que se desligaram em até 12 meses antes.

O perfil do franqueado

Cada rede procura por um perfil diferente de empreendedor para ser seu franqueado, assim como regiões e cidades específicas. Isso acontece porque a franqueadora já conta com diversos estudos de locais onde a marca possui chance de crescer, descartando locais em que o risco não valerá a pena nem para o franqueado nem para a franqueadora.

Falando de uma maneira geral, o franqueado deve possuir o perfil de empreendedor. Ter disposição para assumir riscos, possuir fortes habilidades de liderança, saber trabalhar em equipe são características que Joner aponta como essenciais.

Além dessas, é importante que o aspirante a franqueado também saiba como seguir normas e procedimentos, além de possuir competências gerenciais. “São pessoas que querem empreender e sentem-se mais seguros em investir em um negócio sólido e que já foi testado”, explica o consultor.

Também é necessário que o empreendedor que busca abrir uma franquia possua os recursos financeiros para fazer os investimentos necessários. Existem franquias de todos os tamanhos, em diversos formatos diferentes e com faixas de investimento variadas. Normalmente, as franquias mais baratas são aquelas desenvolvidas online, sem necessidade de ponto físico.

Vale pontuar ainda que o sistema de franchising é baseado em uma série de taxas de franquia, que o investidor deve pagar à franqueadora para ter direito do uso da marca, do suporte e da transferência de know how da empresa. Assim, além de conferir o valor do investimento inicial para abrir a franquia, é indispensável que o candidato analise também quais são as taxas periódicas, como royalties e taxa de propaganda.

Antes da escolha, analise a região em que você reside. Quais são as lacunas que faltam ser preenchidas? Pode ser que seja a oferta de uma marca de roupas ou uma rede de fast food, por exemplo. A chave para o sucesso é oferecer às pessoas o que elas querem, com qualidade e preços acessíveis.

Além disso, vale confirir com a franquia que está interessado sobre a exclusividade. Algumas franquias permitem que seus franqueados possuam outras atividades, como empregos fixos, enquanto outras exigem que esse seja seu único negócio.

Escolhendo sua franquia

Caso você já esteja seguro que quer entrar no mercado do franchising, o próximo passo a ser realizado é escolher em qual franquia vai investir. Considerada por muitos como a etapa mais crítica, é preciso muita paciência e pesquisa nesse momento.

Antes de tudo, procure por franquias que atuem em um ramo que você tenha experiência ou se interesse ao ponto de procurar se aprofundar. Da moda à alimentação, prestação de serviço, comércio, as mais diferentes atividades podem ser encontradas no mundo do franchising.

Mesmo se alguma fora do seu interesse ou conhecimento pareça ser mais lucrativa, é preciso procurar por opções que te deixam com vontade de sempre saber mais.

Com o setor escolhido para a atuação, procure pelas redes que estejam naquela área. Uma dica interessante é buscar em sites especializados, como o Guia Franquias de Sucesso. Procure não apenas por opiniões no site oficial da franquia te interessou; mas também converse com outros franqueados para ter uma visão mais completa e busque por mais informações para ter certeza que a franquia é confiável.

Para Marina Nascimbem Bechtejew, advogada especialista em franchising, existem pontos que ajudam a garantir idoneidade da rede. Observe se a franqueadora é associada da ABF, se o processo de expansão é bem estruturado, se a Circular de Oferta da Franquia está completa e se a franqueadora não dificulta o contato de candidatos com os franqueados e ex-franqueados da rede.

Dê prioridade para redes que procuram sanar todas as suas dúvidas e mostrem-se solicitas na hora de prestar esclarecimento. Essa atitude pode ser um indicativo de como é a relação da franqueadora com seus franqueados.

Muitas das empresas que contratamos e consumimos seus serviços são franquias, mesmo que a maioria das pessoas não saiba. Procure por opções que lhe interessem para ter certeza que o trabalho será prazeroso!

Contratos e questões judiciais

Para fechar o negócio e tornar-se franqueado de uma rede, é necessário assinar a declaração de recebimento da Circular de Oferta da Franquia (COF), pré contrato de franquia (em algumas redes) e contrato de franquia.

“A COF um documento informativo, obrigatório, que tem como objetivo orientar e esclarecer o candidato à franquia sobre todos os deveres e direitos do franqueado e franqueador”, pontua Joner. O consultor explica que o documento deve estar respeitando as exigências da Lei nº 8.955, norma reguladora dos Sistemas de Franquia no Brasil.

A maioria das franquias, explica o consultor, pedem que o contrato seja assinado como pessoa física, ou seja, por um indivíduo e não por uma empresa. Os documentos normalmente exigidos para fechar o contrato de franquia são:

  • Qualificação completa (nome, endereço, profissão, estado civil, nacionalidade);
  • Cópia do RG;
  • Cópia do CPF;
  • Cópia de um comprovante de residência (luz, gás, telefone);
  • Certidões negativas 1º, 2º Interdições e tutelas;
  • Comprovação de renda e/ou imposto de renda quando aplicável;
  • Declaração afirmando a veracidade das informações.

É recomendado que o empreendedor conte com o acompanhamento de um advogado de sua confiança, preferencialmente que tenha especialidade em questões judiciais sobre franquias.

Caso ainda não se sinta seguro para fechar contrato, não se preocupe – pesquise bastante, conheça a área e a rede a fundo e não hesite em procurar ajuda! Investir em franquia é como um casamento: é preciso confiança, respeito e transparência entre ambas as partes.

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