Se tornar um franqueado é uma decisão delicada. Por mais vantajoso que seja iniciar um negócio já contando com a expertise, o suporte e o reconhecimento de uma marca que já tem credibilidade no mercado, é preciso avaliar uma série de questões para aumentar as chances de sucesso.

Analisar se você tem perfil para ser um franqueado, entender o que uma franqueadora deve oferecer e compreender as taxas de franquia são alguns dos fatores iniciais que quem quer investir nesse modelo de negócio deve estudar.

Mas, se você já passou dessa fase, sabe como o franchising funciona e está decidido a se tornar um franqueado, precisa passar por outro processo: um estudo de mercado.

Atualmente, a Associação Brasileira de Franchising (ABF), divide as redes de franquias em 11 setores principais: alimentação; casa e construção; comunicação, informática e eletrônicos; entretenimento e lazer; hotelaria e turismo; limpeza e conservação; moda; saúde, beleza e bem-estar; serviços automotivos; serviços e outros negócios e serviços educacionais.

Além de ter identificação e, eventualmente, até experiência em um desses setores, antes de escolher onde investir, é fundamental fazer um estudo de mercado para conhecer melhor as particularidades do segmento que você tem em mente.

Neste artigo, vamos entender melhor o que é um estudo de mercado e por que ele pode ser uma ferramenta fundamental para quem quer investir em franquias.

O que é um estudo de mercado e o que ele analisa

Podemos definir o estudo de mercado como uma pesquisa que levanta dados quantitativos e qualitativos sobre um segmento. Esse estudo pode ser mais ou menos abrangente, de acordo com o foco e necessidade da pesquisa.

Essa informações ajudam a compreender as oportunidades, desafios e características próprias de cada mercado e geram insights preciosos para a tomada de decisões e planejamento, tanto de franqueadoras quanto de franqueados.

Daniel Costa, consultor de franchising na Business Franquias, confirma: “Quando fazemos um estudo prévio do mercado conseguimos obter dados, indicadores e informações importantes que nos ajudam a tomar a decisão de investir ou não investir na franquia em questão”.

E ainda que a franqueadora já tenha um estudo de mercado pronto, segundo Davi Bertoncello, CEO da agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research, é importante o franqueado também faça sua própria pesquisa. Afinal, muitas das informações levantadas por uma franqueadora são utilizadas como argumento de vendas, e, por conta disso, a forma como os dados são apresentados pode ser tendenciosa.

“Faz bastante sentido que o franqueado conduza sua própria pesquisa, principalmente as que balizem suas escolhas sobre o local, seja uma pesquisa de hábitos e atitudes das pessoas que moram e/ou frequentam a região, seja uma pesquisa de geo marketing”, afirma Bertoncello.

Quais dados um estudo de mercado pode levantar

Daniel Costa explica que é possível levantar indicadores analisando um cenário micro, ou seja, mais específico da localidade em que o franqueado pretende abrir o negócio, ou macro, que abrange a maior parte do mercado.

No macro, podemos analisar:

  • O cenário econômico brasileiro;
  • O quanto o segmento em questão está crescendo no país;
  • Se é um negócio que ainda tem espaço para crescer no Brasil;
  • O histórico de faturamento do mercado;
  • Número de redes franquias pertencentes ao nicho;
  • Taxa de abertura e fechamento de novos negócios através dos anos;
  • Perceber se trata-se ou não de um negócio sazonal.

No micro, é possível estudar, por exemplo:

  • Os perfis de público-alvo que poderiam ser captados na região;
  • Os pontos comerciais disponíveis para o tipo de operação;
  • A demanda pelo produto ou serviço na área;
  • Números de investimento, lucratividade e prazo de retorno médio das franqueadoras que atuam no segmento;
  • A concorrência local;
  • Possíveis ameaçadas específicas da região onde a franquia seria aberta.

Como e onde levantar informações

Apesar disso, de nada adianta reunir uma porção de informações, se você não souber como analisá-las, interpretá-las e usar os dados para tomar uma decisão assertiva.

“Dados quantitativos ou qualificativos sozinhos não demonstrarão ser úteis; eles só o serão se forem comparados, levando-se em consideração o território, os hábitos de determinada população, bem como seu nível socioeconômico e financeiro”, explica Luiz Felizardo Barroso, advogado e membro da diretoria da ABF-Rio.

É por isso mesmo que as opiniões dos especialistas divergem quando o assunto é como e através de quais ferramentas fazer o estudo de mercado.

Enquanto alguns defendem que é possível levantar dados interessantes para uma pesquisa preliminar usando a internet, outros acreditam que é fundamental contar com uma empresa ou profissional especializado para desempenhar esse trabalho desde o início.

“Uma pessoa física até consegue realizar este tipo de pesquisa, mas normalmente recomendamos procurar um especialista, porque o empreendedor tem a tendência de enxergar a parte dos dados que lhe ratifica a ideia, quando este tipo de pesquisa deveria existir justamente para gerar questionamentos sobre a viabilidade de negócio”, defende Davi Bertoncello.

Se for fazer uma pesquisa inicial de forma independente, seja pela internet ou por qualquer outro meio, é fundamental buscar fontes seguras e confiáveis. Por isso, Bruno Bronetta, CEO do Grupo TSValle, recomenda buscar os órgãos que regulam, fiscalizam ou gerenciam  os mercados, como IBGE e ABF, por exemplo.

Depois do estudo de mercado

Entendendo melhor as características e números do mercado, o franqueado poderá definir quais os setores do franchising que mais o atraem. Mas essa não é a única análise que precisa ser feita antes de escolher uma rede de franquias para apostar.

É recomendável que o franqueado decida quanto deseja investir no negócio, que tipo de modelo de franquia deseja (microfranquia, loja física, franquia home based ou megastore, por exemplo) e quais faixas de faturamento e lucratividade seriam interessantes para ele.

Com isso, será mais fácil selecionar algumas marcas que atendem ao perfil desejado e o interessado pode passar para a fase de coleta de informações específicas de cada rede.

“Após definir o ramo de atividade é preciso verificar o que as franqueadoras oferecem, como: atendimento, suporte, prazo de contrato, qual know-how da franqueadora e se ela possui uma unidade ou operação-modelo para que o candidato possa acompanhar o negócio”, recomenda Bruno Bronetta.

Também é essencial conversar com alguns franqueados para verificar se a franqueadora realmente entrega, na prática, o que promete para novos interessados. Itens como satisfação com o suporte e treinamento, retorno real sobre o investimento, desafios da operação e como é a relação com o restante da rede são bons itens para levantar.

Costa também recomenda abordar os ex-franqueados. Questionar quanto tempo permaneceram na franquia e os motivos do desligamento pode colaborar para que o candidato decida se aquela rede é ou não interessante para ele.

A relação completa dos franqueados atuais e dos ex-franqueados desligados nos últimos 12 meses deve constar na Circular de Oferta da Franquia (COF), um documento que é entregue pelo franqueador durante o processo seletivo.

Fabiana Hamada, consultora da Goakira aproveita para dar uma última dica: “Indico visitar a operação, ‘sentir’ se aquele determinado segmento o atrai, se daqui há três ou quatro anos o candidato a franqueado se visualiza ainda ali”.

Com um bom estudo de mercado, uma pesquisa minuciosa da reputação da rede e do que ela oferece para seus franqueados, você estará muito mais perto de tomar uma decisão acertada e ter sucesso com o seu novo negócio!

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