Você já parou para pensar por que algumas unidades de uma marca consolidada no mercado não dão certo e logo fecham as portas? A resposta pode estar na escolha mal feita do ponto comercial.

Para definir o ponto comercial da sua franquia, é preciso levantar uma série de fatores. De modo geral, a unidade deve estar localizada em uma região com bom fluxo de pessoas, sobretudo que se enquadrem no público-alvo da marca, e que tenha segurança. Isso sem falar da estrutura física e do aluguel do imóvel, que deve caber no bolso do franqueado.

Em meio a tantos detalhes a serem observados, surge a dúvida: de quem é a responsabilidade pela escolha do ponto comercial? Da franqueadora ou do franqueado?

Para a consultora Bianca Zeitoun Oglouyan, da TEAR Franchising, a escolha do ponto comercial compete à franqueadora: “ela é a responsável por prover esta inteligência de mercado, avaliar índices macroeconômicos e de desenvolvimento (PIB per capita, IDH, IPC), utilizar ferramentas de geomarketing e georreferenciamento e saber se naquela região o mais adequado seria loja de rua, shopping ou galeria”, conclui.

Durante essa etapa, o franqueado pode até sinalizar algumas dicas, uma vez que ele conhece bem a sua região, mas ele não pode abrir mão de todo o know how da marca. Até mesmo porque a franqueadora também tem interesse no sucesso de todos os seus franqueados.

Sabendo que a escolha do ponto comercial de uma franquia demanda uma avaliação criteriosa, preparamos, nesta matéria, os principais fatores que você deve levar em consideração.

Perfil do público da região

Parece óbvio, mas muitos empreendedores não prestam atenção neste detalhe. O perfil do público que frequenta a região do ponto comercial deve coincidir com o do público-alvo da franquia. Na prática, isso significa que não faz sentido uma marca, cujo os consumidores fazem parte da classe alta, tenha uma unidade em um bairro de baixa renda. Não haverá vendas.

O mesmo raciocínio se aplica ao fluxo de pessoas nos horários-chave da operação. De nada adianta, por exemplo, abrir um restaurante que funciona só no almoço em uma área residencial, quando as pessoas estão longe de casa: no trabalho ou estudando. Para esse tipo de franquia, o ideal é estar próximo de regiões comerciais.

Visibilidade e acesso ao local

Rua movimentada é apenas um fator (muito importante, diga-se de passagem) de uma equação mais complexa. Aqui, entram em cena as questões de visibilidade e de acesso ao ponto comercial.

Uma loja situada na esquina fica mais em evidência que as de meio de rua, uma vez que consegue impactar pedestres e motoristas parados nos semáforos. Ter uma boa iluminação na região também contribui para que seu ponto comercial tenha destaque mesmo depois de escurecer.

Quanto ao acesso, o ideal é que a sua loja tenha convênio com algum estacionamento ou mesmo vagas em frente ao estabelecimento. Esse diferencial convida as pessoas que estão de carro a entrar em sua loja. Localizar-se próximo a pontos de ônibus e estações de metrô também faz diferença, inclusive para a vida de seus colaboradores.

Custo de ocupação do ponto comercial

Durante o processo de escolha do ponto comercial, é bom ter a calculadora por perto. Além do investimento para abrir uma franquia, é preciso colocar na ponta do lápis todas as despesas mensais. Isso inclui, claro, o custo de ocupação do ponto comercial.

Para não ter problemas financeiros logo no início da operação, Bianca aconselha os franqueados a negociarem com os proprietários do ponto. “Propor o escalonamento do aluguel é uma forma de aliviar o impacto do custo de ocupação nos primeiros anos de operação, quando o negócio vive sua curva de aprendizado”, explica a consultora.

Antes de abrir sua franquia, vale a pena ter uma reserva financeira suficiente para cobrir os gastos da unidade em torno de seis meses a um ano, até que a operação comece a dar retorno. A saúde financeira da sua franquia agradece.

Análise da concorrência

Diferente do que muitas pessoas pensam, localizar-se próximo aos concorrentes – diretos e indiretos – pode até ajudar. Afinal de contas, se eles estão lá, significa que o público local consome os produtos e serviços deles.

“Depende do segmento. Em alimentação, concentrar é a melhor estratégia, sobretudo se forem cozinhas diversificadas. O mesmo se aplica às franquias de cosméticos e chocolates: os concorrentes sempre estão bem próximos”, afirma Bianca.

Aqui, o que se deve evitar é que unidades da mesma marca fiquem próximas uma das outras. Caso isso aconteça, elas estarão disputando pelo mesmo público-alvo, o que não é nada bom para a própria franquia.

Infraestrutura da região

Independentemente do setor de atuação, os negócios dependem de internet e energia elétrica no dia a dia. Por isso, o ponto comercial da sua franquia precisa se localizar em regiões onde a rede telefônica e a conexão de internet funcionem plenamente.

Outra questão que merece atenção é a segurança do local. É fundamental que a região garanta o mínimo de segurança tanto para os colaboradores quanto para os clientes. Portanto, bairros que apresentam problemas recorrentes, como queda de energia e número elevado de assaltos, devem ser descartados.

Por último – mas não menos importante –, estão os aspectos legais. Cada município tem suas próprias legislações quanto ao zoneamento comercial. Verifique com bastante atenção se a região escolhida aceita a abertura da sua franquia, além de abrir os olhos com outras questões, como ambientais e sanitárias. Nesta etapa, contar com o auxílio de um advogado evita dores de cabeça no futuro.

Estrutura física do imóvel

Antes de definir o ponto comercial da sua franquia, atente-se, também, à estrutura física do imóvel. Em muitas ocasiões, é necessário desembolsar uma quantia considerável para adaptá-lo ao layout do negócio. Caso seja um imóvel muito antigo e que demanda muitos reparos, o investimento pode se tornar inviável.

Shopping center ou loja de rua: eis a questão!

Muitos investidores preferem apostar nos shopping centers para abrir suas franquias. De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) e da Associação Brasileira de Franchising (ABF), mais de 35% das ocupações em shoppings são de franquias. Quando falamos especificamente do segmento de alimentação, esse percentual é de 80%.

Não é por menos. Os shoppings garantem uma série de benefícios para as marcas, como grande fluxo de pessoas propensas a compras por impulso e lojas com a estrutura praticamente pronta. Para os consumidores, as vantagens se estendem à comodidade do estacionamento, à diversidade de lojas no mesmo espaço e à segurança.

Na teoria, parece o casamento perfeito. No entanto, é preciso, mais uma vez, ficar atento a alguns detalhes, sobretudo de custos. “O shopping maduro é um garantidor de bom fluxo, mas a um custo geralmente mais alto. Shoppings novos são apostas e representam maior risco, mas, dependendo do custo de ocupação, vale arriscar”, observa Bianca.

Quanto às lojas de ruas, também existem prós e contras. Entre as vantagens, destacam-se a flexibilidade de horários e a liberdade para promover ações de marketing. Nos shopping centers, as lojas ficam presas a regras e horários de atendimento.

Embora os custos sejam menores que os alugueis de shopping, lojas de rua não necessariamente demandam menos recursos. “Loja de rua dá certo em muitas cidades, mas não em todas. É preciso tomar cuidado, pois, às vezes, o estado do imóvel ou necessidade de adaptação acaba tornando o investimento mais alto do que seria em shopping”, alerta a consultora da TEAR Franchising.

Enfim, é uma série de fatores que você deve considerar antes de escolher o ponto comercial de sua franquia, ou seja, o processo leva tempo. Sabendo que ele é um fator decisivo para o sucesso de sua franquia, tenha paciência nesse momento. Lembre-se que a pressa é inimiga da perfeição.

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