Quando você decide investir em uma franquia, um dos exercícios fundamentais que deve fazer parte da sua avaliação sobre em qual rede apostar é a avaliação comparativa entre as marcas, o que faz com que você tenha um bom nível de segurança, além de saber o que se encaixa no seu perfil de investimento nas suas características pessoais para operar o negócio.

É claro que no começo os empreendedores podem ficar um pouco perdidos em como comparar franquias, mas alguns passos podem ser seguidos para que você saiba o que deve analisar.

Para que entenda, a melhor imagem que você pode ter desse processo de escolha de uma franquia é a de um funil, já que muitas são as possibilidades de escolha, mas os critérios comparativos reduzirão o número de redes com chances de investimento para o candidato.

Isso porque algumas serão descartadas por estarem acima da sua capacidade de investimento, outras por exigirem habilitações ou tempo de dedicação exclusiva diferentes da sua realidade, e outras ainda estarão fora por não estarem disponíveis na região desejada, por exemplo.

Pensando nisso, confira os pontos-chave para comparar franquias, mesmo que elas sejam de diferentes setores.

Circular de Oferta de Franquias

Antes de tudo você precisa saber sobre esse documento. De acordo com a legislação de franquias, todo o franqueador deve fornecer ao candidato a Circular de Oferta de Franquias, mais conhecida como COF. É através dela que a franqueadora permite que o candidato a franqueado conheça sua operação e decida quanto à aquisição ou não da franquia.

A COF contém informações importantes como histórico da empresa, exigências de perfil do franqueado, contratos, formato da franquia, investimentos necessários, estimativas de retorno do investimento e a lista de franqueados, sendo um documento padronizado que deixa claro o que as partes devem esperar uma da outra, evitando frustrações e conflitos futuros.

Valores de investimento

Neste quesito, o primeiro ponto que você deve levar em consideração é o investimento inicial, já que ele representa o valor necessário para a aquisição, a implantação e a entrada em operação da franquia. Avalie comparativamente, também, as taxas cobradas pela franqueadora, assim como o investimento com instalações, equipamentos e estoque, por exemplo, o que já vai fazer com que você tenha bons dados para saber o melhor tipo de franquia para você.

Lembre-se, ainda, que existem algumas taxa comuns neste universo, as quais também devem fazer parte do seu quadro de avaliação. “Tem taxa de franquia, que remunera o direito de uso de marca e o suporte pré-operacional; a taxa de royalties, um pagamento mensal que geralmente é um percentual sobre o volume de vendas e pode também ser um valor fixo ou até mesmo um percentual sobre o volume de compras, e a taxa de propaganda, pagamento mensal ou por ação do franqueador, sendo uma taxa de rateio das despesas que tem a finalidade de fazer a rede franqueada vender mais”, explica Pedro Almeida, consultor de franquias e diretor da Franchise Solutions.

Pense, também, no capital necessário para iniciar e para manter a operação até que ela se torne rentável. Avalie o risco de se gastar mais do que havia sido planejado, fazendo o cálculo da sua capacidade de investimento, que deve incluir o investimento inicial informado pelo franqueador, com o tempo previsto para que a empresa atinja o ponto de equilíbrio operacional, assim como o capital de giro para que a empresa tenha recursos para pagar seus compromissos mantendo um bom nível de atendimento aos clientes, além de uma reserva para você se sustentar enquanto não puder fazer retiradas da empresa sem o risco de deixá-la sem capital.

Histórico da franquia

Você precisa analisar, também, possíveis pendências judiciais do franqueador. Isso porque saber como o mercado enxerga a marca a qual você tem interesse é muito importante. Além disso, a clareza na descrição da franquia e das atividades que serão desempenhadas por você, assim como o perfil do candidato que a franqueadora busca, também são pontos importantes a serem vistos.

Fique atento, pois é comum candidatos a franquias serem abordados por corretores de franquias, pessoas que fazem intermediação da venda e prometem muitas coisas, que não serão eles que vão entregar, visto que a entrega é feita pelo franqueador. “É nesse momento que você vai descobrir que a história contada é diferente da realidade. Lembre-se de uma grande dica: franqueador que não está preparado para vender, não vai estar preparado para entregar o que foi vendido por um terceiro”, aconselha Almeida.

Aqui é importante ver, também, a relação de franqueados que atuam no mercado, assim como você deve conversar com empreendedores que já até saíram da franquia, sabendo quais foram os motivos para isso.

“É necessário que o candidato à franquia investigue antes de investir. Por isso, conversar com franqueados da marca é uma das orientações. Pergunte sobre tudo: operação, negócio, retorno, suporte e também se o franqueador opera unidades próprias, afinal, ele só pode vender experiência se tiver operado”, diz, ainda, o especialista.

Locais disponíveis

Algumas franquias têm exclusividade ou preferência sobre determinado território de atuação, o que também deve ser pensado por você, pois isso interfere no local onde pretende abrir o seu negócio.

Algumas marcas têm, inclusive, a possibilidade de realizar vendas ou prestar serviços fora do território, assim como outras trabalham com modelos home based, que em certos casos também pode ser uma facilidade.

Além de avaliar a disponibilidade das franquias para sua região, é importante fazer um estudo dos concorrentes que já atuam onde você quer atuar. Isso pode ajudar a identificar quais demandas ainda não são supridas nesse mercado e quais das marcas de seu interesse podem preencher essas lacunas.

Suporte oferecido

Ao comparar franquias, liste como é feito o suporte por parte da franqueadora, como orientação dada, treinamento do franqueado e dos funcionários, manuais da franquia, auxílio na análise e escolha do ponto e das instalações.

Confirme, ainda, se há a obrigação de adquirir bens, serviços ou insumos para a implantação e operação, assim como o uso apenas de fornecedores indicados. Se a própria franqueadora for a fornecedora, vale conferir como são feitas as compras e se há obrigatoriedade de volume mínimo de compras para compor o estoque.

Procure ajuda de especialistas

Durante a análise do modelo de negócio que está sendo franqueado, da leitura da COF, da minuta do contrato e da análise dos dados financeiros levantados por você na pesquisa de comparação, é recomendável que o candidato busque orientação de um profissional que possa ajudá-lo neste período – pode ser um advogado ou um consultor especializado em franchising, por exemplo.

A compra de uma franquia muitas vezes representa anos de economia e não deve ser desperdiçada por um erro de avaliação que poderia ter sido evitado. Lembre-se, sempre, de que essa não é uma compra por impulso. Cabe análise e ponderação para que a parceria de fato aconteça e dure por muitos anos.

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