Você está pensando em começar a empreender em franchising, mas não sabe ao certo como funciona uma franquia e fica com medo de cair em algum mito? Antes de tomar qualquer decisão, é preciso estar por dentro dos detalhes deste segmento, uma vez que ser um franqueado é um grande investimento, tanto de tempo quanto de dinheiro, e algumas histórias acabam rondando esse mercado. Nada mais justo, então, do que procurar sanar todas as dúvidas possíveis antes de encarar a empreitada.

“Existem diversos mitos que rondam todo o franchising, mas nem sempre são reais. A razão de eles existirem são as mesmas: o pouco conhecimento das pessoas sobre o tema franquias em si, além de elas se aterem a modelos antigos de negócios, que não mais se adequam à realidade atual”, avalia José Fugice, especialista de franquias, CEO e co-fundador da Goakira.

Por isso, estar bem informado sobre como funciona uma franquia é fundamental para investir com segurança, para que tudo corra bem durante todo o processo de negociação e, depois, na operação do negócio. Lembre-se que questões burocráticas determinam os direitos e os deveres tanto do franqueado quanto da franqueadora, e são essenciais para que a relação entre as partes funcione da melhor forma possível.

Para lhe ajudar nesse processo, reunimos os mitos do franchising que rendem as dúvidas mais comuns neste universo.

Qualquer um pode ser franqueado

Muitas pessoas encaram o processo de expansão de franquias como um simples processo comercial de corretagem, com a ideia de que “qualquer um” pode se tornar franqueado de uma marca, desde que tenha o capital disponível para investir. Na prática, não é bem assim que funciona.

“Mais do que vender uma franquia, o franqueador recruta o franqueado. É necessário ter a consciência de que a atuação do franqueado em sua unidade é primordial para o sucesso da marca em si e, com isso, a sua expansão”, explica Fugice.

Essa é a importância de avaliar um possível franqueado antes de vender a unidade da marca. Um bom franqueado é também um investimento para a franqueadora.

Previsão média de retorno

Outro mito é sobre a previsão média de retorno daquilo que se investiu. É muito difícil determinar em quanto tempo exatamente o franqueado terá o retorno do investimento, sendo que os números divulgados são apenas uma média baseada nas franquias já existentes ou uma projeção baseada em uma unidade modelo.

“O retorno depende de diversos fatores, como a localização da unidade (uma franquia que está em um ponto movimentado tem um faturamento diferente daquela que está em um local com menos movimento), o momento atual (caso o país esteja em uma situação economicamente instável, a unidade também sofrerá no faturamento) e, principalmente, a dedicação do franqueado no negócio, esse, é o principal fator para o sucesso de uma franquia”, avalia o especialista da Goakira.

Devido a isso, é difícil padronizar uma previsão de retorno do investimento.

As franquias tem que ser exatamente iguais

Hoje em dia é importante ter uma identidade visual que se comunique com o conceito do negócio, e que o cliente sinta a experiência de que está se comunicando com tudo aquilo que a marca representa.

Por isso, a aplicação do padrão visual da marca é uma das regras mais básicas do franchising: layout de lojas, fachada, mobiliário e outros fatores ligados ao design costumam ser comuns a todas as unidades da rede.

Porém, não é necessariamente obrigatório que as unidades sejam idênticas umas as outras. “Diferenciações na decoração em cada unidade podem ser permitidas. Mas atente-se para que essas mudanças na decoração não percam também a identidade visual que possui a marca”, aconselha Fugice.

Todas as franquias têm que praticar o mesmo preço

Será que sua franquia precisa vender os produtos ao mesmo preço que uma outra loja da marca em outra região? Não exatamente. Uma unidade que está em um ponto com possibilidades maiores de lucro, pode e deve aproveitar esse recurso.

Por exemplo: considere que uma determinada unidade de uma franquia de alimentação encontra-se em uma localização menos privilegiada de movimento em uma cidade do interior. Em contrapartida, outra unidade da mesma marca encontra-se em um movimentado aeroporto e, com isso, possui maiores oportunidades de venda. Padronizar o preço para as duas unidades seria um erro, pois diminuiria os percentuais de lucro para uma das duas unidades.

É necessário adequar os preços de acordo com a situação real de cada unidade.

Mix de produtos de serviços

Parecido com o item anterior, um outro mito é a padronização do mix de produtos e serviços: o portfólio também deve se adequar à localidade que a franquia se encontra.

“Vamos considerar uma franquia que trabalhe com moda e que esteja vendendo produtos ligados ao inverno. É necessário ter atenção aos produtos oferecidos em cada unidade. O inverno da região Nordeste é diferente da região Sul. Devido a isso, é necessário avaliar qual o mix de produtos para cada localidade”, pondera Fugice.

Franqueadores sem unidade piloto

Um dos principais mitos que se tem em relação a franquias é de que uma marca pode expandir no franchising sem ter uma unidade piloto.

Todo o conceito de franquia está baseado em um modelo de negócios que possui todo o know how no segmento em que atua, e tem condições de passar o mesmo para novos investidores, viabilizando maiores chances de lucro. Se uma franquia expande sem ter uma unidade piloto, quais são as garantias de que aquele negócio irá funcionar?

Sim, é mais indicado apostar em uma franquia que já possua ao menos uma unidade, com a comprovação de assertividade. Isso aumenta as chances de outros pontos também atenderem às expectativas.

Fusões no mundo das franquias

O sistema de franchising é o sistema em que um franqueador (aquele que tem uma marca – possivelmente o criador ou quem adquiriu determinada empresa por fusão ou aquisição), detém o know how, sistema de gestão e operação de determinado negócio e autoriza que terceiros (os franqueados) operem unidades daquele negócio seguindo com uma série de processos, procedimentos e regras já definidas por esse franqueador, em um determinado território, sob a marca autorizada pelo franqueador.

É importante que você tenha isso bem claro em sua cabeça, visto que nos últimos anos aconteceram muitas fusões e aquisições e nem todas as marcas estão com seus fundadores e/ou criadores.

Por isso, é fundamental que o franqueador seja quem detém a marca, o conhecimento da operação e a gestão do negócio a fim de transferir conhecimento e permitir que o franqueado comande o negócio de acordo com as premissas pré-estabelecidas.

Investir em franquia é garantia de que o negócio vai dar certo

Ok, se você resolver abrir uma franquia, então tem garantia de sucesso no negócio? Isso também é um mito.

Antes de tudo, lembre-se que uma franquia é um empreendimento, e como todo empreendimento pode dar certo ou errado. Quando uma pessoa investe em uma franquia, ela tem que ter a consciência de que muito do sucesso de seu negócio dependerá de sua própria performance.

Fugice alerta: “quanto mais o investidor se dedicar ao negócio, maiores também são suas chances de lucro. Uma das vantagens da franquia é todo o suporte da franqueadora ao investidor, além da comprovação de que aquele modelo de negócio já deu certo em outros casos”.

Franqueado é funcionário da franqueadora

Não, o franqueado não é funcionário da franqueadora – a própria Lei de Franquia estabelece que a relação entre essas duas partes não caracterizam um vínculo empregatício. O franqueado tem sim que seguir as regras da franqueadora, porém, na prática, ele é o dono do próprio negócio, pois é quem contrata, quem demite, quem faz ações de marketing, quem faz pós venda, etc.

O franqueado é um empresário e não funcionário. A relação que ele tem com a franqueadora é que ela passa as regras e todas as normas de conduta e padrões da marca, mas sendo dono do próprio negócio; ele é um investidor, um parceiro que colabora para que, juntos, tanto sua franquia quanto a franqueadora cresçam cada vez mais.

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