Abrir uma franquia no shopping parece ser um passo firme em direção ao sucesso. Com alto fluxo de pessoas, consumidores indo e vindo, mais visibilidade e segurança, os shopping centers são pontos de venda atrativos para quem vai investir em um negócio. Para alcançar bons resultados, porém, a conta precisa fechar: com custos elevados, a escolha do local deve ser certeira para que o franqueado não saia no prejuízo.

Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), o Brasil tem hoje 562 shoppings em atividade, com a previsão de que 13 novos sejam inaugurados ainda em 2017. Em 2016, os shoppings brasileiros receberam cerca de 439 milhões de pessoas por mês, o que fez com que o faturamento do ano fechasse em 157,9 bilhões de reais.

São mais de 100 mil lojas inseridas em shopping centers em todo o país e o segmento gera mais de 1 milhão de empregos. Muitas dessas lojas de shopping são franquias. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) apurou que 23% das unidades de franquias brasileiras estão localizadas dentro de shoppings.

Quem se interessa por abrir uma franquia no shopping vai encontrar opções em segmentos diversos e em diferentes formatos de lojas e de quiosques. O setor de alimentação é um dos mais fortes nesse ramo: com quiosques que podem ser instalados em corredores e lojas próprias para praças de alimentação, há opções de negócios de tipos variados – desde produtos de consumo rápido, como sorvetes e churros, até refeições completas, com churrascarias e restaurantes.

Além disso, redes voltadas para o varejo em geral – roupas, calçados, eletrônicos, cosméticos, etc. – encontram espaços para instalação tanto em lojas quanto em quiosques. Marcas que atuam oferecendo serviços, como salões de beleza, academias e escolas também têm vez, inclusive instalando-se em espaços menos óbvios, como estacionamentos, uma boa aposta para franquias automotivas.

“Uma vez tomada a decisão de se instalar em um shopping, deve-se observar onde estão localizados os possíveis concorrentes diretos, as áreas disponíveis, os custos de cada uma delas assim como mapear por onde circulam os clientes alvo da marca. Consultar a franqueadora, que tende a ter uma maior experiência no processo de escolha, pode aumentar as chances de sucesso do negócio”, aconselha Roberto Vautier, especialista em varejo da AGR Consultores.

A franqueadora pode ajudar não só com a escolha do ponto de venda, mas também com a negociação junto ao shopping. Muitas redes têm poder de negociação maior e, muitas vezes, já têm parcerias com administradoras de shoppings, o que facilita a entrada do franqueado no local.

Outro ponto que pode facilitar a entrada do franqueado é que várias marcas de franquias, especialmente as maiores ou mais conhecidas, costumam ser desejadas pelos centros de compras, visto que marcas fortes também ajudam a atrair consumidores para o shopping, impulsionando o desempenho do empreendimento como um todo.

Quanto custa abrir uma franquia no shopping?

Investir em uma franquia no shopping não é barato. Fora o valor do aluguel do espaço, é preciso arcar, mensalmente, com a taxa de condomínio e a taxa do fundo de promoção – dois valores que são divididos entre os lojistas ocupantes do shopping para cobrir, respectivamente, despesas comuns do local e ações de divulgação e publicidade gerais.

Além dessas três taxas mensais (aluguel, condomínio e fundo de propaganda), é necessário pagar também as famosas luvas. As luvas são tarifas pagas na escolha do ponto e dizem respeito ao direito de uso do local. Esse preço pode variar muito conforme a localização do ponto dentro do shopping e do shopping em si – naturalmente, complexos mais maduros costumam custar mais caro que empreendimentos que acabaram de ser inaugurados.

“O valor exato de uma loja varia muito de acordo com o tipo de atividade ou produto comercializado. Na média, o preço do metro quadrado de um shopping em São Paulo custa cerca de 3 mil reais, mas pode chegar a 20 mil reais, dependendo do shopping e da localização dentro dele”, afirma Roberto Vautier.

Os custos de ocupação não são os únicos a ser levados em conta: é preciso considerar ainda a contratação de funcionários. Para manter a unidade aberta nos horários de atendimento do complexo – que, geralmente, inclui finais de semana, feriados e períodos noturnos – é necessário dispor de uma equipe maior.

Roberto indica que investir em um quiosque pode ser uma opção mais acessível. Os contratos de ocupação de quiosques são geralmente mais curtos (entre três meses e um ano) e têm custos reduzidos de luvas e aluguel, além de exigirem uma equipe menor para manter a operação.

Outra possibilidade é encontrar caminhos para negociar valores. “Em época de crise, a vacância em muitos shopping centers aumentou consideravelmente, gerando boas oportunidades de negociação para quem quer entrar ou apenas renegociar seus contratos, principalmente se for uma marca relevante na visão dos gestores do empreendimento”, revela o especialista da AGR Consultores.

De acordo com um estudo do Ibope Inteligência, os 20 shoppings inaugurados em 2016 estão operando com mais da metade das lojas vazias: a vacância média é de 55%.

“Grandes redes oferecem apoio ao franqueado nesse momento de negociação e costumam ter grande influência na decisão final”, assinala Roberto.

Paralelamente aos custos de ocupação específicos do shopping, é preciso levar em conta o investimento na franquia propriamente dita. Nesse caso, os modelos para shoppings e galerias podem sair na frente: adequados para serem instalados em espaços menores que tradicionais pontos de rua, modelos de loja e quiosque para shoppings costumam ter custos de instalação reduzidos. As lojas inseridas em praças de alimentação, por exemplo, não precisam arcar com espaço próprio para consumo dos alimentos, nem mesas e cadeiras, diminuindo gastos com implantação e mobiliário.

Vale a pena abrir uma franquia no shopping?

“Abrir sua loja em um shopping que pertence a um segmento que conta com mais de 500 empreendimentos, que fatura 157 bilhões de reais e que gera um aumento de 26 mil novos postos de trabalho em plena crise econômica, só pode ser um ótimo negócio, certo? Pois é, nem sempre”, comenta Roberto.

O principal “contra” de abrir uma franquia no shopping diz respeito aos custos elevados. A começar pelas luvas, que encarecem o investimento inicial na franquia e que, é importante lembrar, não são previstas pelas franqueadoras nos valores de investimento indicados. Somando-se as taxas de aluguel, condomínio e propaganda com outras despesas fixas do negócio (como a taxa de royalties e de propaganda pagas à franqueadora, os salários de funcionários e outros custos operacionais comuns do negócio) a lucratividade mensal da franquia pode acabar sendo menor do que o esperado.

Além disso, estar em um shopping significa também que seu negócio terá mais proximidade com a concorrência, o que tem pontos positivos e negativos. Se, por um lado, isso requer que as marcas busquem destaque para atrair os consumidores, ao mesmo tempo, as chances de que pessoas com mais probabilidade de comprar seu produto ou serviço terem acesso ao negócio são maiores.

“A comodidade para o cliente final pode ser apontada como um dos grandes diferenciais do centros de compras, incluindo estacionamento, banheiros, climatização, segurança e serviços agregados”, aponta Roberto.

Esses benefícios não são atrativos apenas para consumidores; são, também, pontos positivos para os lojistas. Os shoppings oferecem mais segurança contra assaltos e melhores condições de trabalho aos funcionários. Isso para não falar da alta exposição da marca graças ao elevado fluxo de pessoas, somando mais de 400 milhões de visitas mensais, segundo a ABRASCE.

Assim, decidir entre um ponto de rua e um espaço dentro de um shopping não é uma tarefa fácil. Enquanto a ideia de trabalhar em um local confortável, seguro e que atrai milhões de pessoas propensas a comprar funciona como um ímã, os custos para ocupar esses espaços acabam repelindo muitos investidores.

Para tomar uma decisão consciente, o ideal é equilibrar os prós e os contras de acordo com cada caso. Nesse ponto, vale analisar com cuidado tanto os gastos necessários quanto as estimativas de retorno da franquia para conferir se o negócio é viável. Conversar com outros franqueados da rede de interesse que atuam dentro de centros de compras também é uma boa forma de entender se esse modelo funciona para a marca em questão.

Roberto Vautier acrescenta que, antes de iniciar um negócio de franquia em um shopping, é interessante avaliar se a marca da franquia atende ao perfil do público daquele entorno, analisando sua economia, cultura e hábitos. “O fluxo de pessoas em termos de volume é relevante, claro, mas o mais importante é entender a qualidade e potencial de consumo desse público. Não adianta ter uma praça de alimentação lotada se o público não é o mesmo que compra na sua loja”, ressalta o especialista.

Shopping centers também têm públicos específicos: é um erro acreditar que, por ser um centro de compras, os consumidores que circulam pelo espaço estão passíveis de comprar qualquer tipo de produto ou marca. Assim, shoppings frequentados por pelo público da classe A não vão absorver bem marcas mais populares. Da mesma forma, shoppings voltados a públicos das classes C e D não são bons locais para lojas que pedem alto poder de compra.

Junto ao shopping em si, é indispensável avaliar as características do bairro e as proximidades do local. “Observe, por exemplo, se trata-se de uma área em expansão, com novos empreendimentos imobiliários ou comerciais”, indica Roberto.

No final, o importante é que a decisão faça sentido para o seu negócio. Contar com o apoio da franqueadora na definição do local vai fazer toda a diferença – afinal, ninguém melhor que a própria rede, que já tem experiência e modelos testados, para validar a abertura de uma franquia no shopping ou apontar se é melhor apostar em uma loja de rua.

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