Em um mercado tão competitivo e diversificado como o franchising não é simples criar uma nova linha de negócio, mas Marco Giroto e Vanessa Ban conseguiram. Eles são fundadores da SuperGeeks, uma rede que ensina ciências da computação para crianças e adolescentes e que já conta com mais de 5 mil alunos e 62 unidades.

Apesar de atuar dentro do mercado de educação, a SuperGeeks foi pioneira no nicho de ensino de programação, robótica e outras tecnologias para o público mais jovem, e também soube criar uma necessidade que ainda não existia no mercado brasileiro. Mas nem por isso caiu na mesmice e parou de inovar.

Nesta edição do Franchise Insider, Marco Giroto, fundador e presidente do conselho da SuperGeeks, conta a trajetória da marca e explica como a rede consegue criar novidades em um mercado tão volátil quanto o da tecnologia.

A franquia de sucesso que aprendeu com o fracasso

A trajetória de Marco prova que, mesmo com alguns fracassos na bagagem, é possível alcançar o sucesso. Ele começou a empreender em 2004 e liderou empresas no ramo editorial, de petshop e também uma startup no Vale do Silício, nos Estados Unidos.

A primeira foi encerrada por conta da crise editorial sofrida pelo país há alguns anos, a segunda não foi tão bem recebida pelo público e a startup não avançou porque Marco e sua esposa, Vanessa, já não tinha mais orçamento para investir. Mas cada uma foi essencial para que eles se tornassem empreendedores melhores.

“Cada queda nos ensinou uma lição fundamental para que nós criássemos um negócio de sucesso hoje”

Quando notaram que sua startup já não era mais um negócio viável, o casal começou a pensar em outros segmentos que pudessem prosperar. Foi nesse momento que decidiram unir o conhecimento em programação de Marco com a experiência em educação de Vanessa e criar um tipo de negócio que estava começando a surgir nos Estados Unidos, mas ainda não era comum no Brasil: uma escola de programação e tecnologia para crianças.

“Ainda na Califórnia, nós criamos um site para medir o interesse dos brasileiros nesse tipo de escola e tivemos 15 mil cadastros em pouquíssimo tempo. Isso mostrou que valia a pena voltar para o Brasil e investir na SuperGeeks”, relembra.

Marco apresentou o curso para os pais que tinham se cadastrado no site e, com o dinheiro levantado nas primeiras matrículas, montaram a estrutura para a unidade piloto da SuperGeeks em 2014. O empresário comenta sobre os primeiros dias: “começamos com uma sala pequena, mesas e computadores de segunda mão, mas era o suficiente para colocar a ideia em prática e comprovar que ela daria certo”. E, realmente, deu certo.

Logo, os próprios alunos começaram a divulgar as aulas para seus colegas e isso gerou mais matrículas na SuperGeeks. Em menos de um ano, a empresa já tinha aproximadamente 240 alunos e pensava na expansão por franquias.

“Nos primeiros empreendimentos, nós cometemos o erro de investir em marketing mesmo antes do produto estar totalmente formatado. Na SuperGeeks preferimos cuidar do serviço primeiro e deixar o marketing em segundo plano, e deu muito certo!”, comenta.

“Não adianta ter um produto fraco e sair divulgando. O ideal é ter uma boa estrutura e só depois investir no marketing”  

Como criar necessidade com um serviço pouco conhecido

Ainda que a primeira onda de matrículas tenha acontecido de uma forma muito natural, logo Marco percebeu que enfrentaria algumas dificuldades trazendo um serviço novo para o mercado.

Ele explica que, depois de absorver boa parte dos early adopters, ou seja, os pais que se entusiasmaram com a novidade e “compraram” a ideia rapidamente, sentiu que convencer o público geral sobre os benefícios de ensinar programação para crianças exigiria um certo esforço.

Foi nesse momento que o empresário notou que precisaria investir no marketing. A opção, porém, foi interessante: direcionar a divulgação para os alunos e não para os seus pais. “O nosso maior desafio era fazer o pai entender. A criança ou adolescente capta rapidamente o que nós oferecemos. Por isso, criamos publicidade que comunicasse com as crianças. Elas, então, se encarregavam de nos apresentar para os pais”, revela Marco.

A partir desse primeiro contato, os pais dos interessados entravam em contato com a SuperGeeks e a escola detalhava como funcionava o programa e quais eram os benefícios dos cursos.

A SuperGeeks focou sua divulgação nos meios digitais, sobretudo na publicidade no YouTube e nas redes sociais, mas também desenvolveu mecanismos que mantivessem a divulgação “boca a boca” em alta.
A rede promove game jams, eventos em que os alunos podem levar os amigos para participar de competições de jogos e programação. Através desse primeiro contato, a SuperGeeks consegue atrair colegas de seus alunos e gerar mais matrículas.

Hoje, apesar de o ensino de programação para crianças já estar mais difundido entre os pais, Marco revela que 80% dos alunos da SuperGeeks estão estudando porque as crianças conheceram a rede e pediram para que os pais os matriculassem. “Muitos adultos ainda não conseguem enxergar a ciência da computação como algo essencial para o desenvolvimento e o futuro dos filhos. Mas isso está mudando e fazemos parte desse movimento”, conta.

Outro desafio da SuperGeeks foi lidar com a concorrência. Depois de mais ou menos um ano de vida, a rede, que até então era a única em seu segmento, começou a identificar outras escolas com perfis bastante parecidos.

Para Marco, porém, o grande problema não são as novas marcas, mas sim a forma como elas atuam. Ele explica que existem empresas no segmento que não se preocupam em estruturar seus cursos ou ter uma metodologia em que o aluno realmente aprenda. “Por causa delas, os pais acham que todas as escolas são ruins e desistem de investir mais na educação dos filhos”, confessa.

Marco conta ainda que a SuperGeeks recebe vários alunos de outras escolas, mas o desempenho deles costuma estar sempre abaixo do que o esperado para a fase em que estavam. “Muitas vezes, chega um aluno que estava no nível avançado em outra escola, mas não consegue acompanhar nossas aulas”, explica. E finaliza: “isso demonstra pra mim que há divergências na qualidade de ensino e não é bom para o mercado”.

As estratégias de inovação e crescimento da SuperGeeks

Apesar de estar inserida em um nicho que está em desenvolvimento no Brasil e ainda pode ser bem explorado, a SuperGeeks já se preocupa em desenvolver inovações para manter o interesse do mercado e continuar crescendo de forma contínua e bem estruturada. Um dos caminhos para alcançar esse objetivo é apostar em novos cursos e públicos.

Pensando nisso, a companhia deve lançar em breve um curso de programação para adultos. O objetivo é educar profissionais que não tem conhecimento na área, mas querem usar a programação para algum projeto pessoal ou profissional.

O curso será intensivo e vai focar em aspectos práticos da programação e tecnologia. Para não misturar os públicos e se adaptar ao dia a dia de quem trabalha e estuda, as aulas para adultos serão ministradas no período da noite.

“Da mesma forma que a tecnologia está sempre mudando, nós também precisamos mudar e nos adaptar às novas necessidades do mercado e do consumidor”

Sempre que surgem novidades, os franqueados podem escolher entre adotá-las de imediato ou não. No caso das aulas para adultos, o curso está sendo bem recebida pela rede, segundo Marco, e deve ter uma boa aderência.

Ele diz que isso acontece porque as próprias franquias já tinham identificado pais de alunos que gostariam de fazer os cursos da SuperGeeks. Além disso, a possibilidade de elevar a receita também atrai os franqueados. Segundo o fundador, a nova modalidade deve aumentar o faturamento das unidades em pelo menos 20%.

A rede também atualiza constantemente seus cursos com novas tendências, ferramentas e tecnologias que estão surgindo. Machine learning, inteligência artificial e realidade virtual são alguns temas que já foram incorporados às aulas.

CS Plus e MasterGeeks, os “braços” da SuperGeeks

Marco sempre foi um empreendedor serial, e mesmo com o sucesso das franquias SuperGeeks isso não mudou. Com a rede principal prosperando com bastante estabilidade, ele também está trabalhando em outras companhias.

A primeira delas é a CS Pus, um projeto que surgiu para atender um espaço que a SuperGeeks ainda não alcançava: as escolas.

No começo da SuperGeeks, uma das ideias iniciais era oferecer aulas dentro das escolas tradicionais, mas como a rede ainda não era conhecida, não tinha um bom portfólio para vender seus cursos para os colégios. Mas, hoje, isso mudou.

Com a notoriedade que a franquia SuperGeeks alcançou, já existem instituições de ensino interessadas em levar as aulas que a franquia oferece para seus alunos. E a CS Plus deve absorver essa demanda.

O projeto tem se desenvolvido tanto que a CS Plus se tornou uma startup independente e Marco deixou o posto de CEO da SuperGeeks para acompanhar mais de perto a nova companhia.

A CS Plus deve operar com ensino híbrido, em que o aluno aprende usando uma plataforma digital, mas também conta com encontros presenciais com um professor.

A MasterGeeks é outra novidade do grupo e também surgiu para suprir uma demanda que a “irmã mais velha” não acompanhava: os alunos com menor poder aquisitivo.

“Nós recebíamos alunos das classes C e D que faziam as aulas demonstrativas e não se matriculavam apenas por conta do valor”, explica Marco, “pensando em atender essas crianças, desenvolvemos cursos com a mesma qualidade, mas com estrutura enxuta”. Com um custo operacional mais baixo, as unidades MasterGeeks terão matrículas mais baratas e devem receber o público que pode investir menos na educação particular.

Marco acredita que não haverá concorrência entre a MasterGeeks e a SuperGeeks porque as marcas são voltadas para públicos diferentes. “Os alunos SuperGeeks, em sua maioria, são das classes A e B, e as unidades MasterGeeks estarão localizadas em bairros mais populares, então não vai existir concorrência”, afirma o empresário.

A MasterGeeks começa sua expansão por franquias ainda esse semestre e promete um faturamento médio mensal de até R$ 60 mil para seus franqueados.

Internacionalização das franquias

Recentemente a SuperGeeks iniciou seu processo de internacionalização e já está se preparando para abrir a primeira franquia fora do país. A escola será alocada na cidade do Porto, em Portugal, e a companhia pretende abrir outras unidades no país em breve.

Marco comenta que a seleção de países para expansão internacional está sempre ligada à demanda de candidatos, franqueados e pais de alunos. “Recebemos muitos pedidos para ter franquias em Portugal, mas existem interessados em abrir franquias SuperGeeks em vários outros países e estamos estudando cada um deles”, relata.

Inicialmente, a ideia era que a internacionalização levasse a SuperGeeks aos Estados Unidos, mas a rede preferiu basear sua atuação no país através da CS Plus. Isso quer dizer que a metodologia desenvolvida por Marco e Vanessa vai ser reproduzida apenas dentro das escolas norte-americanas e não no formato de unidades franqueadas.

“Nos Estados Unidos os pais preferem que os cursos complementares estejam dentro das escolas. Mas, futuramente, se existir demanda para as franquias de rua, podemos expandir com franchising também”, adianta.

Transição de carreira e dicas

No fim de 2018, Marco deixou o posto de CEO da SuperGeeks para Cássia Akemi, administradora que atuou como gerente da primeira unidade da rede e já tinha trabalhado com Marco e Vanessa na antiga editora do casal.

“Ela já trabalhava comigo e conhece a SuperGeeks tão bem quanto Vanessa e eu. Atualmente, nós estamos em um período assistido, em que ela pode contar com a minha ajuda. Mas a transição foi bem tranquila”, diz o fundador.

Atualmente, o dia a dia de Marco é dividido entre atuar como presidente do conselho da SuperGeeks e desenvolver a CS Plus. Na startup, ele tem ajudado a desenvolver a plataforma e os cursos e também participado de apresentações em escolas que desejam adotar as aulas.

Em 2018 SuperGeeks faturou R$ 20 milhões e projeta um crescimento de 30% até o fim do ano.

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