Franquias à venda: como se dar bem comprando uma franquia de repasse

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franquias a venda
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O processo para abrir uma franquia pode acontecer de diferentes maneiras. Embora o mais comum seja instalar a unidade entrando no processo seletivo da franqueadora, há também a opção de buscar por franquias à venda e comprar uma unidade já instalada.

O repasse de franquia acontece um franqueado que já tem uma unidade de franquia passa seu ponto para outra pessoa. É uma oportunidade interessante para quem quer investir em um negócio e se tornar franqueado de uma rede, mas sem passar por todo o processo de implantação, pegando o negócio já pronto e com operação ativa.

O processo para o repasse de franquia não é definido pela Lei de Franquias e, assim sendo, o assunto é tratado no contrato de franquia e todas as regras e condições desse sistema são definidas pelas próprias franqueadoras. Com isso, o processo pode ser diferente conforme cada rede.

No geral, o que acontece após a compra de uma franquia de repasse é que o relacionamento com a rede passa a ser o mesmo de qualquer franqueado. Aqui, pode-se exigir o pagamento de uma taxa de franquia e a realização de treinamentos. Além disso, o novo franqueado deve manter o padrão da rede, cumprindo com todos os deveres impostos pela marca e pagando taxas de royalties e propaganda.

O que mais chama a atenção de quem busca por franquias à venda é a praticidade: optando por esse tipo de negócio é possível simplificar toda a fase de busca de ponto comercial, obras, instalação e até mesmo a contratação de funcionários. Assim, é possível começar a trabalhar (e a lucrar) sem demora.

Mas, será que o repasse de franquias é realmente vantajoso para um novo empreendedor? O Guia Franquias de Sucesso conversou com um especialista e compilou dicas valiosas para que você descubra como se dar bem comprando uma franquia de repasse.

Como funciona o repasse de franquias?

Antes de mais nada, um franqueado que deseja fazer o repasse de sua franquia deve consultar a franqueadora e o contrato para verificar se essa é uma ação possível. A franqueadora, aliás, deve ser a primeira informada da decisão de venda.

“A franqueadora deve estar ciente de tal decisão, pois é ela quem aprova a entrada de um terceiro em sua rede, que deve suprir as exigências necessárias para tanto. Também se deve levar em conta que as franqueadoras, na maioria das vezes, possuem a prerrogativa de compra da unidade, que pode ou não ser exercida a depender do desempenho da unidade que estiver sendo repassada”, explica Caio Simon Rosa, advogado sócio do escritório NB Advogados.

Os motivos que levam um franqueado a colocar sua franquia à venda são os mais variados e podem ser tanto de cunho pessoal quanto estarem mais relacionados ao negócio em si. Embora nem sempre isso signifique insatisfação com o desempenho do negócio ou com a relação com a franqueadora, é importante ter em mente que essa é uma situação possível.

Independente do desempenho da unidade, é indispensável que o franqueado que está fazendo o repasse esteja com suas obrigações sob controle e que não hajam pendências financeiras.

“Deve-se estar em dia com as obrigações e deveres junto à franqueadora e também junto aos fornecedores homologados da rede. É muito importante que os valores devidos para a operação da unidade estejam em dia, ou que os valores devidos ou a vencer sejam quitados quando da comunicação à franqueadora de tal decisão”, ressalta Rosa.

Para quem compra a franquia de repasse, o processo de documentação deve ser o mesmo existente para a entrada na rede por meio de processo seletivo, conforme as especificações da Lei de Franquia. Rosa aponta que o novo franqueado deve receber a Circular de Oferta da Franquia (COF) e passar pelo período legal de análise – que é de dez dias a partir da data de recebimento – antes de prosseguir com a assinatura do contrato de franquia.

“A maioria das redes cobra uma taxa inicial de franquia, independentemente de se tratar de um repasse, e também poderá solicitar a adequação e/ou reforma da unidade seguindo os novos padrões da rede”, acrescenta o advogado.

Já com o antigo franqueado, aquele que está vendendo a unidade, a franqueadora deve firmar um documento de distrato para que todas as suas obrigações e eventuais dívidas fiquem restritas ao período até o repasse efetivo da franquia.

Rosa esclarece: “aquele que adquire a unidade passa a ser responsável pelos gastos e encargos a partir da data de repasse da franquia, não sendo, por exemplo, responsável pelos valores em aberto junto a fornecedores e franqueadora antes que isso venha a ocorrer”.

Vale a pena investir em uma franquia de repasse?

Antes de decidir se uma franquia de repasse é a escolha certa, é preciso estudar bem a oferta e balancear os prós e contras de investir em um negócio desse tipo.

Um ponto a favor da franquia de repasse é que o investidor não vai precisar passar pela fase de obras e implementação, nem pelo processo negociação de um novo ponto comercial. A loja já estará toda pronta, instalada e em plena operação, o que permite que o franqueado já comece a atuar à frente da unidade de forma imediata.

Além disso, essa pode ser uma excelente oportunidade para quem quer reduzir gastos. Muitas vezes, o franqueado que faz o repasse coloca a franquia à venda por um valor menor do que custaria abrir uma nova unidade – especialmente considerando que os gastos com as adaptações do ponto comercial e compra de equipamentos costuma ser a parte mais cara do processo.

Para Rosa, o fato da unidade já estar ativa traz ainda outro trunfo ao franqueado: o público. “A grande vantagem de se adquirir uma franquia já em funcionamento é o fundo de comércio já consolidado daquela unidade. O consumidor já está habituado àquela unidade e assim permanecerá; pois quando se abre uma nova unidade em um local ainda não explorado, a primeira prova do novo franqueado é conquistar uma clientela cativa”, pondera o especialista.

Por outro lado, é importante lembrar que a motivação para que o antigo franqueado resolvesse vender a franquia pode ser a insatisfação com o desempenho da unidade. Isso pode significar que algo na gestão não está indo bem, mas também pode apontar para questões mais estruturais: ponto comercial inadequado, falta de público no local, modelo de negócio insustentável.

Outro fator a ser considerado é que a franquia de repasse é uma oportunidade pontual e que nem sempre se adequa às suas necessidades e expectativas. Portanto, é crucial avaliar se o negócio realmente faz mais sentido para você do que abrir uma unidade nova.

5 dicas para se dar bem apostando em franquias à venda

Resolveu comprar uma franquia que está sendo repassada por um antigo franqueado? Então, é preciso muita cautela! Ainda que esse seja o melhor negócio para você, é preciso que a decisão seja feita de forma segura e que todo o processo de aquisição do negócio seja feito com atenção para evitar dores de cabeça no futuro.

1. Pesquise 

Assim como abrir uma nova unidade, apostar em uma franquia à venda também exige muita pesquisa. Para começar, é preciso pesquisar a fundo sobre a rede em questão – mesmo que você já conheça quem está vendendo a franquia, lembre-se que, após a compra, seu relacionamento continua não com o vendedor, mas sim com a rede da franquia adquirida. Portanto, passe por todos os cuidados naturais do processo de se tornar um franqueado, converse com outros franqueados da rede e tire todas as suas dúvidas sobre a operação.

Também é fundamental pesquisar sobre o setor e o mercado da sua região, especialmente se você ainda não tem experiência na área em que pretende investir. Mesmo que a franqueadora ofereça treinamentos de capacitação, vale a pena buscar informações para avaliar se o segmento é adequado a seu perfil.

Por fim, faça uma pesquisa aprofundada e detalhada do negócio em questão. Busque informações sobre o franqueado que está vendendo a unidade, procure saber o que motivou a venda, converse com funcionários, apure o histórico da unidade – enfim, tudo que ajude a conhecer melhor o negócio.

2. Verifique a aceitação da unidade junto ao público

Se uma das maiores vantagens de uma franquia de repasse é poder contar com um público de clientes fidelizados, não deixe de verificar se isso realmente está presente na franquia que deseja comprar.

“Para que valha a pena a compra de uma unidade em funcionamento é necessário verificar como é a relação desta unidade junto ao público consumidor. Ela possui boa aceitação ou está sendo repassada pois nunca desempenhou da forma esperada?”, ressalta Rosa.

Visite a unidade como um consumidor para testar os produtos ou serviços e a qualidade do atendimento, converse com clientes e observe a relação do público em geral com a marca da franquia e com a unidade em si.

3. Saiba quanto você vai precisar investir

Seu coração bateu mais forte ao comparar os valores de franquias à venda com o investimento de abrir uma nova unidade? Esse pode ser mesmo um negócio mais em conta – mas nem sempre é assim. Antes de fechar a compra, coloque todos os gastos no papel para saber exatamente qual será o valor do seu investimento, evitando surpresas no futuro.

Além do valor pago ao antigo franqueado, lembre-se que a franqueadora ainda pode cobrar uma taxa de franquia, então saiba desde o início qual será esse valor. Pergunte também se há taxas para treinamentos ou atualizações que devem ser feitas na transição da franquia.

“É necessário também verificar se a unidade deverá ser reformada e/ou atualizada de acordo com os padrões arquitetônicos vigentes da rede, o que pode implicar em gastos adicionais”, lembra Rosa.

As taxas periódicas são outro ponto de atenção: pergunte qual é a taxa de royalties e a taxa de propaganda da franquia. Vale ainda questionar o vendedor quanto aos custos operacionais da unidade, para saber exatamente o que esperar e organizar bem o orçamento.

4. Atualize os contratos de funcionários

Ao comprar uma unidade ativa, você vai precisar lidar com uma operação que está em funcionamento e isso significa uma equipe de funcionários já formada.

“Muito importante que os funcionários que já desempenhem atividades laborativas na unidade assinem novos contratos de trabalho junto ao novo franqueado e portanto novo empregador, evitando-se que eventuais débitos e encargos trabalhistas possam ser imputados a este novo franqueado”, aconselha Rosa.

Caso vá contratar novos funcionários, estude as melhores maneiras de fazer isso e quais são as regras de treinamento de equipe da franqueadora.

5. Trabalhe (muito!)

Comprar uma franquia de repasse não quer dizer trabalhar menos! Mesmo que a unidade adquirida tenha um desempenho excelente e uma clientela já fidelizada, é preciso manter um bom trabalho e padrão de atendimento para que o negócio continue fazendo sucesso sob nova direção.

Quer saber como ser um franqueado de sucesso? Confira aqui dicas de franqueadores para fazer seu negócio decolar.

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